Sábado, 24 de Out de 2026

PT que critica aliança com Kátia/Wanderlei pode federar com Amastha do PSB que votou em peso no Senado pelo impeachment de Dilma contra voto da Senadora!!! Uma piada de posicionamento político!!

21/01/2022 1207 visualizações

Enquanto a militância no Estado reagia às movimentações de Lula para construir um bloco com Kátia Abreu e Wanderlei Barbosa, apontadas neste blog, a direção nacional do partido reunia-se ontem com o PSB em São Paulo.

Pauta: pacificar PT e PSB e pedir ao TSE que prorrogue até junho o prazo para registro de pedido da criação de federações de partidos que expiraria dia 1º de março próximo. A alteração de prazo faz sentido já que os partidos tem até 5 de agosto para suas convenções e em abril tem a janela partidária. Mas, no mais, há controvérsias.

Conclusão óbvia primeira : o PT vai integrar (indica que queira) uma federação com o PSB que implicaria, pela legislação, na eliminação da possibilidade Wanderlei/Kátia na agenda petista regional. Na mesma medida que empurraria para a chapa dita “orgânica e puro sangue” petista o empresário “social/capitalista” Carlos Amastha, presidente regional do PSB no Estado.

E que se note: é algo que independe do PT regional. Terá que seguir a verticalização da federação. O problema é o embate regional petista e suas incoerências na denominada guerra de posições que ignora suas próprias movimentações.

No que seria a mais perfeita representação das movimentações petistas desde a criação: a aliança interna entre sindicalistas pragmáticos e marxistas-leninistas doutrinários e uma contradição externa da militância, muito bem demonstrada na massa crítica disposta contra  Kátia e Wanderlei (ambos sem problemas na Justiça) negando as derrapadas de Alkmin, Aécio Neves, do falecido Eduardo Campos, Carlos Siqueira e cia e do ex-prefeito Carlos Amastha na administração de recursos públicos.

Uma práxis que expõe contradição óbvia entre teoria e prática. O PT que pensa sabe que não existe mais o operário do chão das fábricas (o tal operariado proletário) e sim técnicos cada dia mais especializados e com remunerações equivalentes ao mérito e produtividade. No lugar do torneiro, entrou o computador. Vai longe a luta marxista-leninista opressor/oprimido. Basta ver as condições econômicas das próprias lideranças do partido no Estado.

Mas não é o ponto: a reação da militância além de expor contradições (e preconceitos que não se voltam contra suas próprias posições como é notório), ela desconsidera o processo político, mantendo a inércia eleitoral do partido que nunca venceu uma eleição majoritária no Estado e patina nas proporcionais. Repete os fracassos anteriores na forma.

Só teve o primeiro suplente de senador e de deputado federal nas eleições de 2014. Ambos tomaram posse no cargo por força da atuação de Kátia Abreu. Milne Freitas (na vaga aberta na Câmara dos Deputados por Irajá Abreu/filho da Senadora) e Donizeti Nogueira (no lugar da própria Kátia no Senado).

Nas eleições majoritárias de 2018, o seu candidato ao Senado, Paulo Mourão (hoje pre-candidato ao governo), obteve apenas 10,80% dos votos. Foi a quinta votação. Urnas no Senado: Gomes (19,48%), Irajá (16,82%), Hallun (14,46%), Vicentinho (13,81%) e Ataídes (13,34%) ficaram à frente do candidato petista.

Eleição presidencial nunca determinou as eleições estaduais. Apesar do efeito Lula e das movimentações que Paulo Mourão tem feito pelo Estado no último ano quase solitário, tudo indica que se pode avançar em 2022, não o conseguirá com sectarismo. Correndo o risco de perder os ativos armazenados das eleições de 2018 e do recall eleitoral de suas andanças que podem, nas próximas pesquisas, apontar seu nome com mais vigor por que mais conhecido, elevando possiiidades eleitorais. 

Da redemocratização até aqui, fato indiscutível,  FHC, Lula, Dilma e Bolsonaro não interferiram nas eleições de Marcelo Miranda (três vezes), Siqueira Campos (três vezes) ou Mauro Carlesse. Foram eleitos apesar  de opostos ao presidente vencedor.  E, tudo indica, não será diferente com Lula 2022 que, mantidas as pesquisas, pode eleger-se no primeiro turno.

O PT no Estado pode até não aceitar uma aliança com Wanderlei e Kátia e isto é, por princípio, elogiável, ainda que contraditório à estratégia petista lulista que, por inteligência, cisca pra dentro.

Muito embora as circunstâncias (e os números) sugiram que, no Estado, a possibilidade de eleger dois federais e aumentar a bancada no Legislativo (ou ter um vice-governador) lhes fosse estrategicamente mais produtiva. Até porque, caso Wanderlei seja reeleito, não poderá disputar o cargo novamente em 2026, cabendo ao vice assumir a cadeira no Palácio com direito à reeleição.

É o que se abstrai dos números. Quando a militância esgrime o seu poder de fogo, não custa lembrar que o PT, apesar desse barulho, tem apenas 12 mil filiados no Estado (1,15% dos 1,039 milhão de eleitores/TRE/dezembro/2021). O PP, de Kátia Abreu, tem mais: 16 mil filiados (1,58% do eleitorado do Estado).

Somando os filiados do PT com os do PSB (de Carlos Amastha) tem-se 20 mil filiados (1,96% dos eleitores). Do outro lado estão 122 mil filiados (11,8% dos eleitores) -  MDB/PP/PSDB/Democratas/PTB/PSD/PSL/Republicanos/Podemos/PSC/Patriota/PRTB – que certamente teriam motivos para estar do outro lado.

O esforço petista para negar Wanderlei e Kátia pode vir até mesmo ser improdutivo (ou contraproducente)  diante da explicita estratégia lulista de aumentar bancadas na Câmara e Senado para governar. Sem contar o apoio decidido de Lula a Kátia, no reconhecimento de sua lealdade ao PT no governo Dilma que os petistas regionais publicamente ignoram ou negam. Lula pode, considerando seu apoio público a Kátia, não subir no palanque do PT no Estado para pedir voto majoritário contrário à Senadora, com consequências previsíveis no desempenho eleitoral do candidato petista.

Ah, ia me esquecendo: os cinco senadores do PSB (da pretendida Federação de agora) votaram pelo impeachment da presidente petista Dilma Roussef em 2016, contrariamente ao voto de Kátia Abreu e de sua intensa mobilização no Senado à época contra o afastamento da ex-presidente. De conhecimento público mas oportunisticamente deixado de lado pela  militância.

O PT pode e deve expressar suas posições políticas e ideológicas. Mas não pode negar a explícita e gritante contradição de suas decisões e movimentações na política estadual.

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