O PT reúne seu diretório nesta segunda em Brasília (DF). É esperada a participação de Lula assim como o endosso ao debate eleitoral que o Presidente faz para transformar o presidente do Banco Central, antecipadamente, em responsável por eventual fracasso do governo do PT para viabilizar, este ano, o elenco de “coisa boa” que prometeu na campanha.
Ou seja, um encontro que seria partidário e estatutário para discutir eleições internas, como instrumento de suporte aos equívocos que Lula tem cometido em meio às decisões acertadas do primeiro mês de governo. Não se pode dizer, na essência e substância, que não tenha lá sua graça justapondo-o às críticas da militância petista (no Estado são 17,9 mil filiados/2022) a igual procedimento dos bolsonaristas na defesa das ações do Jair.
Subsidiariamente, o PT deve colocar em pauta o adiamento do PED (Processo de Eleição Direta) programado para este ano direcionado à renovação das Executivas nacional e regionais a cada dois anos.
A justificativa também não é um portento de moralidade e ética pública: não atrapalhar o governo Lula. O que leva a outra conclusão: se o governo fosse de outro, as circunstâncias cobrariam críticas em defesa da população.
A decisão tem implicações regionais: no Estado, por exemplo, a Executiva regional aderiu ao bolsonarismo antes da primeira hora, entregue de porteira fechada ao Palácio Araguaia a dois anos das eleições municipais.
Como consequência, o PT, que já havia perdido – sob comando do deputado Zé Roberto há quatro anos - representantes tocantinenses na Câmara dos Deputados e na Assembléia no ano passado (apesar de Lula ter derrotado Bolsonaro no 1° e 2° turnos, 50,40% e 51,36%) corre o risco de ficar este ano sem os três prefeitos que elegeu em 2020.
Como qualquer empresa capitalista, o PT está cobrando ingresso para a reunião do diretório desta segunda que ele metaforicamente denomina de doação. Os preços variam de R$ 500,00, R$ 5 mil, R$ 10 mil e R$ 20 mil. O petistas, assim, a valer a régua, estariam acima, mas muito acima, da renda média brasileira, quase uma galáxia de distância dos 33 milhões de pessoas que passam fome no país.
O partido, como é público, recebeu de fundo partidário em janeiro/2023 o equivalente a R$ 9 milhões. No ano passado, o PT só teve menos dinheiro que o União Brasil: foi aquinhoado com 100 milhões de fundo partidário (não confundir com fundo eleitoral) contra R$ 154 milhões do UB.
Para 2023 estão previstos para os partidos R$ 1.185.493.562,00 de dotação do Fundo Partidário. Dos 28 entes políticos que lançaram candidaturas na eleição do ano passado apenas 13 partidos e federações superaram a cláusula de barreira de desempenho: as federações FE Brasil (PT/PCdoB/PV), PSDB/Cidadania e PSOL/Rede, bem como os partidos Avante, MDB, PDT, PL, Podemos, Progressistas, PSB, PSD, Republicanos e União Brasil.
As demais 15 agremiações continuarão a existir, porém não receberão nada do Fundo a partir deste mês de fevereiro.


