Sábado, 24 de Out de 2026

PT divulga apoio histórico do MDB e Raul Filho a Lula!!! Deveria, então, o PT desculpas a Raul por tê-lo expulso do partido no escândalo da Delta. Com 21 mil votos para estadual, MDB, após urnas, é mais âncora que balão

14/10/2022 438 visualizações

Para o senso comum, o que abunda não prejudica. Na política não é bem assim. E o eleitor tem, na sua medida, excluído os bugalhos dos alhos. É o caso.

Anuncia-se como um ato histórico a entrada de Raul Filho e Derval de Paiva. Num movimento que é dado como do partido, muito embora não se tenha conhecimento do que pensa o presidente regional da legenda, Marcelo Miranda.

Derval foi vice-prefeito de Raul Filho por dois mandatos. Antes de ser prefeito de Palmas, Raul perdeu duas eleições por pura prepotência. Só venceu a primeira depois que deixou o PPS (após deixar a arenona do PFL) e casou-se com o PT, que trocou em 2015 por outra arenona, o PR (que virou Republicanos e PL).

Isto para depois, já de olho na campanha de prefeito de 2020, cair no MDB (que não tinha candidato e o PL saiu na frente na pre-campanha com o deputado Vicentinho Jr. que depois apoiou Amastha) onde já estivera lá em 87.. É inegável, entretanto, sua aceitação popular. Mas só isto não enche barriga. De outro modo: quem enche barriga de Judas é melão de são caetano.

Na última eleição que disputou (2016), Raul  perdeu para Carlos Amastha (52,38%/31,43%). Num processo em que também Raul saiu na frente e foi desacelerando. Intuí-se por sua situação eleitoral, estava inelegível. Muitos não viram assim: achavam que era mera preguiça, mesmo substantivo feminino com que tratavam a pouca disposição de Raul Filho para enfrentar problemas do dia-a-dia no cargo de prefeito.

Raul já havia sido derrotado por Carlos Amastha em 2012 quando sua candidata, Luana Ribeiro, obteve apenas 4,83% dos votos dos palmenses (a terceira colocação) numa aliança entre PR, PSB, PT, PPL, PRTB e PTN. O retorno de Raul agora ao PT (no apoio, é filiado ao MDB) e o tratamento como um acordo histórico negam (na medida em que seria exigida explicação) a expulsão do ex-prefeito pelo partido há dez anos (2011). De 34 membros do diretório regional do PT, 29 votaram a favor, quatro pela suspensão e uma abstenção.

E por que? Por causa de declarações como esta (causas e consequências), de Raul Filho, gravada na Operação Monte Carlo que levou o bicheiro Carlinhos Cachoeira para a prisão. “Viu Carlinhos, o que a gente busca é o seguinte: Nós temos um projeto político, um projeto de poder para o Tocantins. Palmas é um estágio”. Isto tudo aí filmado..

A denúncia era a de que, em troca de recursos para campanha, Raul teria firmado contratos de R$ 116 milhões com a Delta (coleta de lixo). Nos primeiros sete meses, conforme o TCE, a alteração dos contratos teria elevado o faturamento da empresa em 107%.

E por fim, a não presença de Marcelo Miranda no palanque do anúncio dá indicadores que, pelo menos a vergonha, Marcelo não perdeu nas eleições. O MDB saiu das urnas com apenas 47 mil votos para deputado federal (não elegeu um só parlamentar) e, espante-se, meros 21 mil votos para deputado estadual. Ele próprio, Marcelo, ex-presidente da Assembléia Legislativa, ex-governador por dois mandatos, obteve apenas 3 mil e 500 votos.

O descarrego do MDB por Raul e Derval na candidatura petista de Lula no segundo turno presidencial, é possível reconhecer, funda-se mais na perspectiva de Raul ter o apoio do PT nas próximas eleições. O problema é que as eleições municipais ocorrem em 2024 e o ex-prefeito está inelegível até 2026. Oito anos após o cumprimento da pena, como trata a inelegibilidade nos crimes ambientais.

Retomando: o que abunda não prejudica. Mas não é bem assim. Histórico aqui é apenas a sem-vergonhice ideológica, política e partidária de cada um. Permitida, deve-se ressaltar, porque o país é um Estado democrático. Um mal, portanto, que realça um bem.

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