Enquanto os candidatos da base bolsonarista dividem o eleitorado governista do Estado, o PT de Lula segue com sua estratégia e, a cinco dias do prazo da legislação eleitoral para as convenções, marcado para a próxima sexta-feira (tem-se até 15 de agosto para registro de candidaturas), a federação petista (PT/PCdoB/PV) só tem até agora candidato ao governo.
O partido, tudo indica, joga parado mas de olho nas pesquisas. Na próxima semana, petistas esperam obter números mais robustos de intenção de votos, melhores que os observados na pesquisa Vox Populi (contratada pelo PT em junho) que projetava segundo turno no Estado entre Wanderlei Barbosa e Paulo Mourão, contrariando os números comemorados pelos outros concorrentes.
Os números foram discutidos com Lula no mês passado. Lula gravou vídeo com pedido de votos para Paulo Mourão a ser apresentado na convenção do partido esta semana. Seria, portanto, o candidato de Lula.
Talvez venha daí justificativa para os supostos movimentos desta semana dos bolsonaristas indicando a possibilidade de fusão de duas candidaturas, reduzindo de três para dois os candidatos bolsonaristas ao governo do Estado, elevando, em termos relativos e numérios, as possibilidades de exito eleitoral.
No que certificariam, por dedução, não só os números de junho da Vox Populi encomendada pelos petistas, mas que o PT tivesse melhorado nas pesquisas, em paralelo e aceleração do avanço da candidatura Lula a presidente. Diferente de eleiçoes anteriores quando a candidatura petista no Estado tinha desempenho inversamente proporcional e em sentido contrário à de presidentes da República.
Ademais, ninguém se movimenta assim, do nada, se não houver impulso ou necessidade para tanto. Assim como politico nenhum gosta de dividir poder político ou administrativo, numa eventual eleição vitoriosa.
Pela Vox Populi (a que este blog teve acesso) para efeito de raciocinio, Wanderlei tinha em junho 34% na estimulada, contra 21% de Paulo Mourão, 19% de Ronaldo Dimas e 5% de Osires Damaso. Mourão apresentava uma rejeição de 18%, Damaso (15%), Wanderlei (12%) e Dimas (10%). A pesquisa foi feita com mil eleitores de 45 municípios entre 27 de maio e 3 de junho. Dois meses portanto, com margem de erro de 3,1¨% e 95% de confiança.
O fator Lula exerceria influência. Na Vox Populi, Lula teria no Tocantins na pesquisa estimulada 54% dos votos contra 27% de Bolsonaro e 5% de Ciro. No segundo turno, seriam 59% de Lula e 28% de Bolsonaro.
E aí um dos X da questão: pela Vox Populi 44% dos eleitores votariam para governador em candidato apoiado por Lula e para 43% destes eleitores, Paulo Mourão seria o candidato do ex-presidente. Jair Bolsonaro só transferiria 20% dos votos.
Outro dado relevante é que para 64% dos eleitores é necessário operar mudanças na política estadual e só 27% querem continuidade. Este índice deve preocupar os grupos de Osires Damaso, Ronaldo Dimas e Wanderlei Barbosa porque estiveram juntos nas eleições de 2018 e continuaram, em larga medida, aliados nos últimos quatro anos.
Daí ser, por estes números, mais que necessária a fusão das duas candidaturas de Osires Damaso e Ronaldo Dimas.


