Sexta-feira, 23 de Out de 2026

PSDB nacional entrega na prática partido a Cínthia ao suspender processo regional. Como não respeitou a comissão estadual, a Justiça estadual bem que poderia suspender a decisão, não é verdade? Ora, ora...

luizarmandocosta 21/02/2019 1295 visualizações

E agora: a decisão da Executiva nacional do PSDB de arquivar o processo de expulsão da prefeita Cínthia Ribeiro por infidelidade partidária que estava em tramitação na Comissão Estadual deveria merecer também da Justiça comum uma decisão suspendendo-a.

Afinal, a nacional atropelou o processo da regional. Ou seja, não teria respeitado as hierarquias partidárias. Tese esposada pela Justiça estadual na semana passada (tornada pública esta semana) para suspender o trâmite do parecer da Comissão Ética estadual, sobre o mesmo assunto, porque não teria respeitado a comissão municipal.

Na forma, o PSDB (como qualquer executiva nacional ou regional) pode praticar intervenção caso observe descumprimento do estatuto. E Cínthia o descumpriu ao apoiar publicamente dois candidatos ao Senado (Eduardo Gomes e Vicentinho Alves) quando só tinham duas vagas em disputa e seu partido tinha um candidato, Ataídes de Oliveira, presidente regional e que disputava reeleição. O que levaria, inevitavelmente, pelo estatuto, à aceitação da acusação e não ao seu arquivamento.

Não haveria, pelo estatuto, outra saída para o partido conservar seus princípios. E que se note: isto não tem nada a ver com seu desempenho (de Cínthia Ribeiro) na prefeitura. É uma escolha política que, parece, tem, até agora, lhe rendido êxito e emprestado-lhe musculatura política com uma variante adicional: uma mulher avançando num ambiente de homens. O frágil sexo forte enfrentando os marmanjos.

Mas o PSDB é o PSDB: decidiu optar pragmaticamente pelo mandato da prefeita (como nos outros Estados também atingidos pela mesma medida). É o mesmo PSDB que, contrariamente aos estatutos, não expulsa José Serra, Aécio Neves, Aloysio Nunes, Eduardo Azeredo e que tem em Joao Dória hoje sua maior liderança. Um partido social-democrata comandado por um conservador que apoiou o ultradireita Jair Bolsonaro que defende o coronel Brilhante Ursa que torturou o tucanos de hoje no movimento contra ditadura militar.

No que interessa, na prática, o PSDB nacional entregou o partido a Cínthia e apontou a porta de saída para Ataídes. Decisão que já vinha sendo construída desde o movimento do PSDB Mulher nacional. Não sem a ajudinha do próprio Ataídes. Não à toa, o ex-prefeito Carlos Amastha saiu-se ontem com algum atraso em defesa da prefeita, criticada por integrantes de seu partido, o PSB. Cínthia com o PSDB nas mãos, engrossa o caldo: ganha mais autonomia e força política. E Amastha, sem mandato, tem ainda dois anos pela frente para construir um grupo e uma candidatura.

O ex-senador Ataídes de Oliveira pode escolher mandar a questão para uma convenção de delegados das comissões provisórias municipais. Se tiver maioria, poderá enfrentar a nacional. Com poucas chances, mas com capacidade de desgastar ainda mais o partido.

Marcelo Miranda foi nomeado candidato ao governo pelo MDB em 2014 contra o diretório e a executiva regional que realizaram uma convenção no auditório da Assembléia onde quase a unanimidade dos delegados deliberaram pela candidatura do ex-deputado Junior Coimbra. Dez dias antes das convenções, a Nacional fez intervenção, com razões menos tangíveis: suspeita de que Junior Coimbra poderia levar o partido para a base siqueirista.

Marcelo teve sua candidatura decidida e homologada por apenas quatro pessoas: Kátia Abreu, Waldemir Moka, Derval de Paiva e Osvaldo Reis (comissão interventora) numa convenção que teve ainda Valdir Raupp, então presidente da Executiva nacional.

Eleito o governador, Kátia entregou a presidência da comissão interventora a Derval de Paiva com a garantia do partido de que teria mantidas as comissões provisórias que havia formado. Com o partido nas mãos, Derval em menos de mês descumpriu deliberadamente a combinação, destituiu as comissões formadas por Kátia e as distribuiu a Josi Nunes e demais parlamentares emedebistas. E deu no que deu.

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