Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Protestos contra concessão omitem faturamento anual de R$ 120 milhões no Jalapão onde não falta irregularidade e uso dos quilombolas com omissão escandalosa do governo

02/09/2021 1679 visualizações

No Jornal do Tocantins desta quinta se informa que às 10 horas moradores das comunidades do Jalapão farão uma manifestação na entrada do Palácio Araguaia para “chamar atenção” à lei que autoriza o governo a iniciar o processo de concessionar parques estaduais.

No mesmo horário em que o governo “chamou” coletiva de imprensa com diretor do BNDES para anunciar o início do “díálogo público” sobre as concessões. As cobradas audiências públicas legais. Segue o fluxo.

Em outros veículos de comunicação, entretanto, a Associação Tocantinense de Turismo Receptivo revela que virão caravanas de moradores de São Félix, Mateiros e Ponte Alta para protestarem também em frente aos prédios do MPE e do MPF, ainda nesta quinta. Como os quilombolas são tratados pela associação como carentes, devem ter dificuldades para contratar transporte de tanta gente.

Por outro lado, como o governo só deu seguimento ao processo após a decisão liminar favorável da Justiça Federal, estaria o Palácio exercendo sua competência, do mesmo modo que quilombolas e “camioneteiros” (os tais receptivos) estariam, contrário senso, pressionando politicamente a Justiça. Tudo pelo Social como o slogan do governo do ex-presidente José Sarney.

Pela tese, os pobrezinhos dos “camioneteiros”, fazendeiros, políticos e quilombolas estariam defendendo a região quando combatem os investimentos privados e públicos livres. Estariam a defender o “nosso Jalapão” dos exploradores do vil capital, de “nossas” riquezas nativas. Quando na verdade defendem um comércio rendoso, paralelo e desregulado.

Antes da pandemia (dados públicos) visitavam o Jalapão (com os “receptivos) cerca de 40 mil turistas anualmente. Os preços cobrados pelos receptivos por pacote de 6 a 8 dias (vendidos pela internet nesta quinta) situam-se na faixa de R$ 2.730,00 (o menor) e R$ 7.730,00 (o maior). Por cada turista.

Traçando uma média ponderada de R$ 3 mil por pacote, uma movimentação anual de R$ 120 milhões com os receptivos e que pagam (quando pagam) apenas os 5% do ISS (R$ 720 mil anuais). Ressalvadas as poucas exceções conhecidas. A pergunta é: quanto deixam com os quilombolas que os motivassem a protestar.

Vamos mais: na área há 14 fervedouros. Preço: R$ 25,00 por 15 minutos. Só entram dez pessoas de cada vez a cada quarto de hora. Serão 40 pessoas em uma hora (R$ 1.000,00 de faturamento/hora). Como podem funcionar apenas 10 horas por dia, a conta vai a R$ 10 mil/dia cada fervedouro. Nos 14 fervedouros, assim, a possibilidade é de R$ 140 mil de movimentação/dia. Ou: R$ 4,2 milhões mensais. Só no fervedouro que o turista paga no pacote ou avulso.

Para se ter uma idéia, nesta quinta o Hot Park de Caldas Novas, na Serra de Caldas (águas termais) – Pousada do Rio Quente – cobrava para o feriado de 7 de setembro preços que variam de R$ 55,00 a R$ 119 para um adulto utilizar o parque pelo dia todo. No Fervedouro do Jalapão é R$ 100,00 por uma hora. E mil reais por dez horas. Mas tem ainda três cachoeiras pagas (Formiga, Arara, Pedra Furada), preço de R$ 20,00 a R$ 25,00 e o Canion Sussuapara (R$ 20,00).

Esta conta indica que o Jalapão já é privatizado pelos receptivos e sem licitação quando o governo quer apenas estabelecer uma concessão pública pela Bolsa de Valores. Licitação pública!!!

A concessão irá, também, provocar o governo a regularizar a situação dos receptivos que atuam, em larga maioria, de forma ilegal. O transporte de turistas em grupo do aeroporto de Palmas ao Jalapão é considerado intermunicipal o que os obriga a pagar ISS mas também o ICMS. E autorização da ATR. E com veículos com placas de aluguel. Eles os transportam como se fossem caroneiros em carros privados. Não é.

Funcionam hoje, com a omissão do governo, sem licença da ATR e sem terem participado de licitação para a concessão do transporte entre municípios. Contratam os pacotes e depois sublocam camionetes de locadoras de veículos para transportá-los sem a mínima fiscalização de segurança.  Isto, por lógico, gerou um comércioi paralelo. As pessoas compram camionetas financiadas e as sublocam para os "receptivos", Tem empresa com mais de 20 camionetas locadas. Tudo à margem dos dispostivos legais de transporte de passageiros.

Se a PM der um baculejo nos transportes é provável que muitos turistas tenham que ficar na estrada. Desnecessário anotar a questão de segurança dos turistas no transporte e as obrigações dela consequentes.

Ah, LA, e os quilombolas que vivem do artesanato? Isto é outra falácia porque conta-se nos dedos aqueles que trabalham com o capim dourado. E que, pelo contrário, terão mais clientes com a concessão. Sem prejuízo do raciocínio que milhares no Jalapão não vivem dos atrativos numa região que tem o pior IDH do país.

É isto que os  manifestantes e MPF defendem quando resistem ao processo legal de concessão dos parques na forma e argumentação empreendidas, que, aliás, é ação coordenada atualmente em outros 12 Estados.

 

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