A proposta de expulsão da prefeita Cínthia Ribeiro, aprovada por uma comissão regional interna do partido, expõe a disputa pelo comando da legenda ainda sob direção do ex-senador Ataídes de Oliveira. E o êxito, até aqui, da estratégia política da prefeita metropolitana.
Ainda que enquadrada estatutariamente, a proposta de expulsão carrega mais idiossincrasias do que resistência partidária. João Dória, por exemplo, hoje o maior líder com mandato do partido, ficou com Jair Bolsonaro nas últimas eleições.
Ataídes na campanha eleitoral, ainda que estivesse na chapa de Carlos Amastha, era próximo de Mauro Carlesse e, na prática, liberou seus prefeitos para apoiar o governador.
Mais não bastasse, o desempenho eleitoral do tucano é demonstração inequívoca de que as duas dezenas de prefeitos o partido não o seguiram por algum motivo. No entanto, não há um processo de expulsão em massa no Estado.
Os tucanos dão a impressão de prosseguirem as divergências de lá atrás, daquele episódio em que Ataídes teria proibido Cínthia Ribeiro de reunir pessoas na sede do PSDB na Capital.
E isto só se explica pelo receio plausível de perda de comando em função do crescimento político da prefeita, com desdobramentos em ativos eleitorais, somada alguma pitada de confusão entre interesses individuais e coletivos.
Cínthia, protocolarmente deve recorrer, evidentemente. Mas estaria, hoje, mais próxima do MDB, que parece a acolher, do que do PSDB. Ainda que no MDB não esteja também segura de que não será paciente de ações semelhantes mesmo que diferentes na forma de apresentação.


