A propaganda eleitoral gratuita no rádio e tv vai desta sexta a 12 de novembro. Quando escrevo este artigo na madrugada, desconheço (como a maioria) a linha temática e divisória dos candidatos a prefeito de Palmas.
Mas como a intuição é a fonte primeira de toda evidência e a verdade procederia de uma relação direta com ela, não é tarefa difícil ou inconclusiva arriscar pontos possíveis de serem explorados. E deduzir previsíveis resultados deles originários.
Os onze candidatos,com efeito, devem apontar suas armas para a Cínthia Ribeiro que disputa a reeleição. Poderiam priorizar projetos a críticas mas não o farão por representarem ainda um ciclo político em que Cínthia aparenta ser antípoda no que tem refutado. E seus adversários, paradoxalmente ao que tencionam transmitir, o tem afirmado com o anacronismo de suas proposições.
A prefeita será o ponto de convergências de suas baterias. A "aliança" informal contra adversário comum a todos tem, entretanto, seus furos para além de simples exposição de métodos, formas e valores.
O primeiro deles político. O eleitor pode ser conduzido a compadecer-se da prefeita como as pessoas condoem-se dos que enxergam mais frágeis. E onze contra uma, ainda que uma relação democrática, não é uma equação da qual se possa dizer igualitária no conceito popular ou senso comum.
O segundo, não necessariamente nesta ordem, é o histórico dos candidatos que reforça o pensamento de um ciclo político que a população enxergava no passado em Siqueira Campos, Marcelo Miranda e que Carlos Amastha (moto-contínuo de Tiago Andrino) representava ruptura no que propunha há oito anos.
Deixando a prefeitura para disputar o governo, o ex-prefeito integrou-se aos elementos do conjunto do qual se dizia fora, fazendo mais que intersecção, tornando-se dele pertinente. De igual modo nele se unem,por suas trajetórias políticas, Eli Borges, Junior Geo, Marcelo Lélis e Vanda Monteiro, que se movimentam na mesma linha política.
Ah, LA, mas Cinthia não deriva de Amastha? Não!!! Cínthia vem de João Ribeiro e que poder-se-ia dizer do mesmo ciclo. Mas Cínthia difere na personalidade e conduta do ex-senador. Não se nega a tomar decisões impopulares ou de consequências político-partidárias previsíveis. Muito claro no enfrentamento a Carlos Amastha, ao governador Mauro Carlesse (na pandemia) ou, mais recentemente, a parte do Democratas que queria empurrar-lhe pela garganta um vice com problemas judiciais acerca de condutas que combate.
E, na verdade, ainda que talvez involuntariamente, mostrou-se diferente do ex-prefeito quando optou por assumiu o cargo, mesmo tendo ciente de que, dois anos depois (como já o era dois anos atrás) não seria a escolhida do ex-prefeito. Poderia ter optado racionalmente por disputar um mandato estadual. Não teria dificuldade para eleger-se deputada em 2018.
E o que fez: mudou a cidade, colocou a administração enquadrada na LRF (Amastha chegou a beijar o desenquadramento e tem quatro contas ainda não apreciadas na Câmara), apresentou superávit orçamentário, faz obras e não elevou a carga tributária.
Já executa 40% das obras do empréstimo da CAF (valor total de R$ 235 milhões) e outros 60% encontram-se em licitação. Fechou empréstimos de R$ 50 milhões com o BB e outros R$ 50 milhões com a Caixa (Finisa) que devem mudar mais ainda a cidade a partir de 2021. Não são projetos ou propostas, são contratos já firmados.
Se fosse fazer uso de uma metáfora: a propaganda eleitoral gratuita pode ser os fatos contra o gogó. E aí a dificuldade dos seus adversários. Ainda mais se fizerem uso de estratégias e táticas anacrônicas, ressuscitando ciclos que se esperava superados.


