Sábado, 24 de Out de 2026

Propaganda eleitoral acaba e uma das teses prevalentes é que o Estado precisa ser municipalista, dado que todos propuseram a mesma coisa!! Até Wanderlei que repassou R$ 1,6 bi a prefeitos em onze meses!!

28/09/2022 385 visualizações

A propaganda eleitoral no rádio e TV encerrou-se nesta quarta. Os candidatos ao governo repetiram mais do mesmo: agradeceram os apoios, os companheiros de campanha, enfim, um momento mais dos afetos do que de votos. Ainda que um se conecte com outro.

Os palacianos seguem tendo certeza de que a eleição será definida no primeiro turno. As pesquisas sérias não o indicam até aqui. Talvez a certeza imprudente explique a negligência quanto a questões levantadas pela oposição. O já ganhou, que se lembre, é siamês do já perdeu.

Pode haver mudanças!! Pode!! Mas se as houverem, creditar-se-ia sua ocorrência mais ao fiasco dos adversários de Wanderlei ontem no não-debate na TV Anhanguera/Globo do que a méritos da campanha do governador.

Há, por outro lado, pontos obscuros e outros ininteligíveis que vão se arrastar por bom tempo. Um deles: tanto Wanderlei quanto seus adversários propuseram um governo municipalista.

Nos adversários, se entende que não observassem no governo atual essa qualidade. Em Wanderlei, seria a negação de que, até aqui, fora municipalista como propaga a administração e deputados.

Propor criar o que já existe não seria, por certo, lógico. A não ser que estivesse propondo sua continuação no que implicaria no raciocínio contrário de que talvez pudesse depender de vontade política motivada em função de eventual êxito na eleição sua continuidade.

Esse negócio de municipalismo foi criado no Estado pelo PMDB de Moisés Avelino. Intui-se que o germe tenha brotado ainda lá na Amvat (Associação dos municípios do vale do Araguaia/Tocantins) comandado por líderes antagonistas do siqueirismo: Moisés Avelino (Paraíso), Euvaldo Tomaz (Porto Nacional), Domingos Pereira (Formoso) e Manoel Cortez (Cristalândia), antes da criação do Estado.

Implantado o Tocantins e Siqueira eleito pela União do Tocantins, o MDB criou o tal Movimento de Salvação do Tocantins. Ou seja, o Estado não tinha sequer um ano e já precisava ser salvo pelo MDB da UT. Durante anos ficou-se nessa política binária MST/UT –Siqueira/Avelino.

Em toda e qualquer obra do governador emedebista Moisés Avelino se colocava um coração de concreto, em verde, preto e vermelho (cores do MDB). E de Siqueira, tinha a UT nas cores da bandeira do Estado.

Por muito menos, o ex-presidente Lula foi criticado quando a primeira dama Marisa Letícia implantou um jardim em forma de estrela no quintal do Palácio da Alvorada. Estrela com as cores vermelhas do PT. Ambos, aqui e lá, uma improbidade.

De lá (89) até 2006, a ATM (que representava diretamente os municípios), entretanto, foi comandada por prefeitos da UT. O MST (de Moisés e do MDB) só foi comandar a ATM em 2007!!!

Ou seja, o municipalismo do MST era só uma forma do MDB retirar de Siqueira uma bandeira hasteada na entidade que congregava os prefeitos e, portanto, municípios. De outro modo: o municipalismo do MST seria o antídoto para o veneno que seria o municipalismo da UT.

Escrevo isto para tentar iluminar o populismo da pauta municipalista na campanha. As pessoas vivem nas cidades o que implica em que todo governo deve, obrigatoriamente, ser municipalista.

No caso de Wanderlei, foi mais uma omissão de sua campanha que terminou sugerindo não ser o seu governo direcionado a municípios.

A execução orçamentária (dados públicos) registra repasses do governo a municípios de outubro de 2021 a setembro de 2022 (já que a crítica se faz ao governo de Wanderlei) o montante de R$ 1,6 bilhões. Uma média de R$ 145 milhões mensais e regularmente semanal.

De impostos (ICMS, IPVA, IPI...) a soma se eleva a R$,3 bilhões (só de ICMS foram R$ 1,137 bilhões).

Mas tudo isto ficou de fora da campanha quando poderia informar a população dos municípios que poderiam assim cobrar de seus prefeitos. Mas prevaleceu na campanha a tese de que o Estado precisa de um governo municipalista. E que, claro, Wanderlei não já o fizesse.

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