Começam a pipocar nas redeis sociais publicações que apontariam distorções no blog acerca do projeto de concessão de parte do parque do Jalapão. Como muitos deles fizeram parte de estruturas de fake-news e da máquina de triturar reputações de candidatos em eleições passadas, é-nos lado concluir que a resistência ao projeto do governo é, em larga medida, profissional.
Aliás optar por refutar o meio e não a mensagem não é a forma mais adequada e producente de iluminar a verdade. No caso, provar que o lugar é dos quilombolas e das comunidades tradicionais, que a população do Estado conhece o Jalapão, que a lei é inconstitucional, que os agentes de turismo estão regulares com os órgãos fiscais, saúde e segurança, que concessão é privatização, que o governo não está cumprindo a lei.
E mais: que do ponto de vista econômico, a concessão trará mais prejuízo que benefícios à região do que esse grupo fechado que a explora sem regulação.
Para efeito de raciocínio e compreensão: o governo do Rio Grande do Sul iniciou ontem consulta pública para a concessão dos parques estaduais de Caracol, Taínhas e Turvo. Projeto de R$ 500 milhões do BNDES. São 26 partes estaduais em todo o país.
O Governo de Minas Gerais trabalha na concessão de sete parques estaduais. Na última terça-feira, o governo de São Paulo realizou concorrência internacional para a concessão dos parques estaduais da Cantareira e Horto Florestal. Investimentos de R$ 50 milhões e um ágio de outorga de R$ 850 mil.
A militância, intuo, vê que o blog não poderia apontar as contradições e aí, sim, distorções de sua argumentação. Por exemplo: o PT acionou ontem o TJ porque (segundo o partido) o governo estaria repassado à iniciativa privada a proteção do meio ambiente. O PT tem um candidato ao governo andando pelos municípios e encabeçou uma nota com uma dezena de artistas também ´ontem contra a concessão.
É como se o governo do Paraná (e federal) tivesse entregue a empresários (há décadas) a proteção ambiental das cataratas de Foz do Iguaçu que são concessionadas!!!! Ou o parque da Chapada dos Veadeiros (Alto Paraíso), o Cristo Redentor (Rio de Janeiro) para ficar só nestes. Uma vigarice intelectual sem limites. E, para espanto, a lei das PPPs foi criada no governo petista de Dilma Roussef.
Isto depois de quilombolas fazerem circular uma carta criticando o governo por (segundo a nota) convocar as comunidades para debate de forma unilateral, quando é público o calendário do Palácio: primeiro as audiências de esclarecimento e depois as reuniões de discussão que serão determinadas com30 dias de antecedência.
Apontar isto aí não é ser contra quilombola, agente de turismo ou Jalapão. Região que acompanho desde criança. A proximidade de minha casa da rodoviária e a bondade de minha mãe e meu pai (um negro nascido na cabeceira do rio Sapão que para quem não sabe fica no Jalapão na divisa com a Bahia, nascente do rio Preto que cai no rio Grande que cai no São Francisto) atraia os negros de Ponte Alta, Lizarda, Mateiros, Pindorama e que tais nas suas idas ao comércio de Porto ou para receber pensões do INSS.
Enchiam o alpendre com suas redes e ainda tinham alimentação gratuita. Uma situação que ainda hoje vive a maioria dos moradores daquela região. Apesar do faturamento anual de R$ 180 milhões daqueles que a exploram e não querem deixar abrir o mercado para novos investidores. E que, em absoluto, significa detonar o Jalapão ou extinguir os pequenos empresários nem acabar com o meio ambiente pois estão aí MPE, MPF, Ibama e ICMbio.


