O cidadão comum deve ficar sem entender determinados dados estatísticos públicos.
O Planejamento do governo divulgou ontem, com um certo ufanismo, projeção (atribuída ao Banco do Brasil) de que o PIB do Estado teria crescido 4,1% no primeiro trimestre de 2024. Seria o maior crescimento dentre os 27 Estados do país.
No mês de novembro de 2023 (há pouco mais de cinco meses), o mesmo Planejamento celebrava o crescimento do PIB em 2021 de 9,3%. Isto mesmo, de 2021.
Naquele ano (2021) o PIB do Estado teria fechado em R$ 51 bilhões. Dados do IBGE.
Dois anos depois (2023), o Planejamento fez (LDO) a previsão de um PIB estadual de R$ 56 bilhões.
Entre a previsão de 2023 e o realizado em 2021, um avanço de 9,8% no biênio.
Para 2024, o PIB projetado na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) é de R$ 64 bilhões. Entre a projeção de 2023 e 2024, um crescimento de 14%. Em 12 meses!!!! Metade do biênio e o dobro de crescimento.
Isto, matemática e estatisticamente, levaria, os 4,1% do BB, numa conta de padaria, a um crescimento oito pontos percentuais menor do que a previsão do Planejamento. Razão para reflexões e não celebrações.
Ou o Planejamento estaria planejando mal ou a economia respondendo menos. Ou os dois.
Contrariamente no primeiro quadrimestre de 2024, as exportações do Estado caíram (Ministério da Indústria, Comércio e Exportações) e a previsão da safra de grãos (motor da economia) é menor do que no ano passado (dados da Conab).
Nesta sexta-feira, o Boletim Focus (Banco Central) – divulgado na última segunda-feira – projetava um crescimento para o PIB brasileiro em 2024 de 2,05% sobre o PIB do ano passado. Metade da projeção do BB.
Para finalizar, o Planejamento do Estado atribuiu (no release divulgado ontem) parte do crescimento da projeção ao aumento da População Economicamente Ativa.
Não creio que o Secretário tenha declarado isto. Aposto mais na não compreensão da assessoria autora do texto. Leiam aí do lado.
PIB, como é notório, não tem relação direta com PEA, que é a população acima de 15 anos em idade de trabalhar. Pelo IBGE é a mão de obra com a qual o setor produtivo pode contar, ou seja, é o número de habitantes em idade e condições físicas para exercer algum ofício no mercado de trabalho.
Ela só influencia no PIB, para cima, se estiver ocupada. No Estado (comparando o 1º trimestre de 2023 com o 1° trimestre de 2024), a PEA do Estado passou de 1,273 milhões de pessoas para 1,289 milhões de pessoas (1,3% a mais). Ou seja, aumentou a população em idade de trabalhar (a PEA). Os dados são do IBGE/Pnad Contínua/jan/fev/mar/2024).
Na força de trabalho (que influenciariam no PIB), houve no período (pelo IBGE) um crescimento negativo de -0,6%. Saiu de 806 mil (23) para 801 mil pessoas (24). E fora da força de trabalho (que não produz), saltou de 466 mil para 488 mil pessoas. Ou seja, a PEA que migrou para a força de trabalho caiu.
Na tese do Planejamento, assim, quanto mais pessoas fora do mercado de trabalho, mais o PIB aumenta.


