O governador Wanderlei Barbosa esteve ontem na reunião do Condel (Conselho Deliberativo da Sudam) em Belém (PA). O Condel é que aprova os financiamentos do FNO que são liberados pelo Banco da Amazônia. Já foi presidido, por exemplo, pela ex-governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Hoje é subordinado ao Ministério do Desenvolvimento Regional e coordenado pelo Superintendete da Sudam, o ex-deputado petista Paulo Rocha.
Gerindo um Estado que tem o agronegócio como alavanca econômica, não recomendável a Wanderlei Barbosa seria a não participação. Afinal, a carteira do FNO somava R$ 39,5 bilhões (dez/22). E registrou um lucro de R$ 196 milhões no ano passado. E Wanderlei é bem assessorado, tanto do ponto de vista do planejamento/orçamento quando financeiro.
Já o Basa registrou no ano passado um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão (52,1% acima de 2021), conforme o balanço publicado. Deste lucro, R$ 840,390 milhões de intermediação financeira (juros). Tem um patrimônio líquido de R$ 4,8 bilhões.
O FNO contratou no ano passado R$ 11,8 bilhões (menor que os R$ 12,4 bilhões de 2021) mas liberou R$ 13 bilhões. No Estado do Tocantins o Fundo contratou R$ 3,633 bilhões. A segunda maior aplicação, atrás apenas dos R$ 3,641 bilhões do Pará. De um total de R$ 11,867 bilhões liberados aos sete Estados da Região Norte.
A projeção inicial era de R$ 10,6 bilhões de financiamentos. Do valor aplicado, relatório do Basa informa que R$ 8,5 bilhões foram investidos em municípios de baixa e média renda.
Pois é. Wanderlei Barbosa esteve lá na reunião do denominado Plano Regional do Desenvolvimento da Amazônia. No exato momento em que, tanto governo federal quanto estadual discutem um PPA. Terão que adequá-los, portanto, ao PRDA da Sudam que terá que ser validado por lei.
O blog teve acesso ao PRDA que faz, ainda, um raios-X da região que, para efeito do Condel, são incluídos Mato Grosso e Maranhão. E alí é possível deduzir que a Sudam tem muito trabalho pela frente dado a aparente percepção de que os resultados buscados na economia não sofreram a influência esperada dos bilhões emprestados. Excelência dos gerentes dos bancos na contratação, mas ineficiência na fiscalização da aplicação dos recursos, que são públicos.
Um deles: apesar destes investimentos, a contribuição da demanda final dos Estados da Amazônia para a produção total brasileira é muito pequena. De outro modo: estes Estados estão, até aqui, condenados a produzir para atender apenas a demanda regional. Como a industrialização é precária, planta-se para comer. E aí caem na vala dos Estados consumidores contra os produtores do Sul, uma roda-viva que favorece tão somente aquele que produz mais..
No Tocantins (pelo estudo do PRDA) um índice de 55,10% da demanda final dos produtos é do próprio Estado. Já comparando à produção nacional, este índice cai para 0,53%. Pontua o Relatório de ontem a que o blog teve acesso exclusivo: “Em termos de contribuição da demanda final dos estados da Amazônia Legal para a produção total brasileira, nota-se que tal contribuição é muito pequena, podendo destacar as contribuições da demanda final do estado do Pará (2,19%), do Maranhão e Mato Grosso, ambos com 1,56%”.
Mais: “Uma vez que a análise de insumo-produto busca evidenciar a interdependência sistêmica, a análise da última linha deixa evidente a limitação da demanda final dos estados da Amazônia Legal em impulsionar o processo produtivo brasileiro, uma vez que para cinco dos nove estados analisados o resultado é abaixo de 1%. Dentre os estados da região da Amazônia Legal, a demanda final do estado do Pará é a que mais contribui para o produto dos demais estados, com destaque para a contribuição para os estados do Amazonas (3,43%), Maranhão (2,87%) e Tocantins (2,42%). Em relação à demanda final originária no restante do Brasil, verifica-se que a mesma contribui em grande medida para a produção dos estados da Amazônia Legal, podendo destacar os seguintes casos: a) Amazonas (41,03%), b) Mato Grosso (32,27%) e Tocantins (26,89%). As menores contribuições da demanda final do restante do Brasil para a produção ocorrem nos estados de Roraima (9,89%), Amapá (12,54%) e Acre (15,24%”.
Como se vê, os financiamentos não estariam cumprindo o seu papel, além de gerar lucros a bancos e empresários.


