O governador Wanderlei Barbosa tem um abacaxi enorme para descascar nos próximos meses que podem contaminar a campanha eleitoral de sua candidata.
O procurador geral de Justiça, Abel Andrade Leal Jr. enxergou indícios para investigar a relação do governo com o BRB nos passivos dos servidores.
Um contrato que envolveu cerca de R$ 300 milhões de passivos transformados em crédito consignado. A denúncia atende a notificação de um servidor público há quatro anos.
A ação expõe, por óbvio, as condutas de delegados e promotores no caso que vem sendo procrastinado pelas autoridades desde 2022 por meio de chincanes processuais. O inquérito civil público leva o número 2024.0003108/MPTO
Abel abriu inquérito civil público e de pronto determinou “ordem de preservação de prova digital à SECAD, ao BRB, à Zetrasoft, à SiConsig e à empresa responsável pelo Viabillize, determinando a preservação de logs, trilhas de aceite, registros de API, históricos de consulta, bases de dados, versões de telas, contratos digitais, metadados, manuais técnicos, comunicações internas, registros de habilitação, arquivos de integração e demais documentos eletrônicos relacionados às operações de antecipação de passivos, vedado o descarte, a substituição ou a eliminação enquanto durar a apuração ministerial.”
A investigação se dá após a descoberta de que teriam participado do contrato do governo com o BRB o irmão de Ibanez Rocha( ex-governador do DF,)Renato Ibaneis e de Thiago Sulino, envolvido na Operação Maximus.
No Inquérito Civil Público (de 8 de julho de 2026), o Procurador relata as dúvidas. A primeira, entre cessão de crédito e crédito consignado. Na cessão de crédito, o devedor seria o governo. Na segunda, como realizado, o servidor público.
No inquérito se aponta dúvidas sobre a conduta de um representante do BRB e outro servidor da Secretaria da Administração que teria favorecido o Banco de Brasilia com acesso privilegiado à conta dos servidores. E isto teria feito com que o BRB dominasse as operações.
O resultado é que o BRB (à época sem estrutura) até 12 de fevereiro de 2025 (informação da própria Secad), havia 17.404 servidores ativos, inativos e/ou ex-servidores emitido Termo de Aceite, Desistência e Renúncia sem demanda judicial, e 1.110 haviam emitido o termo com demanda judicial. Informou, também, que 11.927 pessoas solicitaram a antecipação dos passivos junto ao BRB, enquanto 3.777 o fizeram junto às demais instituições financeiras conveniadas.
Situação relatada pela promotoria também em fevereiro de 2026, como pontua o PGJ:
"Em 24 de fevereiro de 2026, a 9ª Promotoria de Justiça da Capital proferiu decisão de declínio de atribuições, conforme decisão constante do evento 75. Na decisão, a Promotoria destacou que, até aquele momento, havia sido confirmado que 11.927 servidores estaduais contrataram com o BRB a antecipação do passivo retroativo, enquanto somente 3.777 contrataram com todos os demais bancos, como Banco do Brasil, Banco Pan, Sicoob Tocantins, Banco Daycoval e outros. O Promotor consignou que tal dado revelava que o BRB recebeu mais de 75% de todos os contratos. Também observou que o BRB teria angariado a maioria das antecipações em 2022, época em que o banco ainda não possuía agências no Tocantins e ainda não havia recebido, sem licitação, os serviços financeiros de folha de pagamento dos servidores, o que teria ocorrido em dezembro de 2024.”
A 9ª Promotoria relatou também:
" A 9ª Promotoria identificou, no Processo Administrativo n. 2022/23000/003682, evento 75, e-mail enviado por Carlos Eduardo Ferreira Sobral, então Gerente de Consignação em Folha de Pagamento na SECAD, a Érica Santos Araújo, funcionária do BRB. No e-mail, reproduzido na própria decisão, o servidor informa que esteve com o “senhor Renato Ibanes” e que foram prestados esclarecimentos sobre a necessidade de correspondente no Estado e sobre como seriam as operações de consignados e antecipação. A Promotoria entendeu que esse documento oficial corroborava a suspeita de que o irmão do Governador do Distrito Federal teria participado de tratativas sobre os negócios do BRB no Tocantins. 47. A decisão também mencionou que Thiago Sulino é investigado na Operação Maximus, circunstância que, segundo o Promotor, recomendaria a apuração da alegada participação do Governador do Estado do Tocantins, por meio de Thiago Sulino, em tratativas com o BRB. "
O procurador geral de Justiça também acionou a Procuradoria Geral da República, STJ e STF. E as intimações e comunicações começaram a ser cumpridas esta semana. Inclusive sobre possíveis ligações com o Caso Master X BRB.



