Sábado, 24 de Out de 2026

PRF há muito extrapola suas funções no Estado. A agressão covarde de sexta de fortões bem pagos a um negro e pobre agride também 72% da população do Estado que é negra e aos 45% na extrema pobreza

08/01/2023 497 visualizações

Caros, antes um preâmbulo a pretexto da agressão covarde e criminosa de Policiais Federais fortões e bem pagos a um lanterneiro negro, desarmado e embriagado. Primeiro por sua condição de negro e após por sua condição social. Isto porque no Brasil a cor da pele antecede o dinheiro no bolso. E que se  note: eram quatro policiais brancos contra um negro bêbado, desarmado e já imobilizado.

O Tocantins é o 3º Estado com maior proporção de negros do país, considerando o critério social do IBGE para negros que adiciona negros e pardos. No Estado, 72,7% da população é negra e parda. Só perde para Maranhão (76,5%) e Piauí (73,6%). Não por acaso, Estados com níveis de pobreza vergonhosos.

Se considerarmos como negros apenas os negros (retirando os pardos) o Estado é o 5º com maior população negra, com 9,1% da população. Atrás do Rio de Janeiro (12,1%), Maranhão (9,6%), Piauí (9,3%) e Minas Gerais (9,2%).

Pobres como o lanterneiro negro (conforme o Ministério da Cidadania/dados de dezembro) equivalem a 725 mil pessoas em Estado de 1,6 milhão de habitantes. No cadastro único do governo federal estão na condição de pobreza e extrema pobreza no Tocantins, portanto, 45% da população.

Na sexta-feira à noite ficaram diante de si um destes extremos pobres e de outro lado policiais fortões, auxílio saúde, educação e piso acima de R$ 10  mil. Um salário (pago pelo contribuinte) cem vezes maior do que do lanterneiro negro.

Agora, os fatos:  A versão corporativa defendida ontem pelo Superintendente Regional da Polícia Rodoviária Federal à agressão covarde de brutamontes da entidade a um lanterneiro embriagado e negro (mais negro que embriagado) não para de pé. Lembram-se do assassinato de Genivaldo pelos PRF em Sergipe? Pois é.

Sua excelência informou que o negro lanterneiro teria sido autuado em  oito infrações administrativas e três crimes, sem detalhar quais. Evidentemente, os crimes praticados pelos policiais só serão “conhecidos” após sindicância interna ainda que a agressão a um cidadão já rendido e imobilizado no chão esteja fartamente comprovada nas imagens de vídeo que circulam pelo país.

O Superintendente ainda fez uma graça com os policiais companheiros e um deboche com a população: segundo ele, o lanterneiro teria dito aos tais policiais que estaria armado, mas os mesmos policiais comprovaram que não. Deve ser caso inédito de um bêbado confessar a policiais portar arma, assumindo um crime, quando de fato não a carregava. E aí fica a dúvida acerca de quem realmente estava embriagado ou entorpecido e de quê substância.

A PRF há muito extrapola suas funções. Na BR-153 no Estado, por exemplo, se dedica, quase 100% no combate ao tráfico de drogas, substituindo a policia civil que dá muito holofote. O artigo 144 da Constituição não comporta dúvidas sobre suas competências.

A abordagem de sexta foi dentro do perímetro urbano da Capital que a PRF transformou em extensão da TO-050, somente dias atrás federalizada e a instituição já apronta um fuzuê nos bairros pobres à margem da rodovia. Não só na sexta, mas há dias faz operações pela região, fazendo o papel da Polícia Militar.

No caso do lanterneiro é possível que o resultado fosse outro se a ocorrência tivesse se dado em lugar ermo. A violência exposta pelos policiais rodoviários federais tem uma potência interior de homens desajustados (e mal formados) do ponto de vista do caráter e de humanidade. Para praticarem coisa pior, só dependem de impulso ou motivação.

E dos agentes mal treinados que no governo Jair Bolsonaro ganharam força, confundindo polícia de governo com polícia de Estado. No Estado, as manifestações golpistas fecharam rodovias federais e a PRF ficou deitada em berço esplêndido. São fatos notórios. Não só no Estado, mas no país.

A PRF tentando tranquilizar informou que os policiais foram afastados até resultado da sindicância. É óbvio que as explicações do Superintendente expressadas ontem concorrem para que não sejam penalizados. Ainda que contrariem os fatos e certamente o inquérito que a polícia civil é obrigada a instaurar.

Não é, pelo jeito, só a população que necessita ser conscientizada sobre a lei. 

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