Sábado, 24 de Out de 2026

Pressão por definição de Cínthia é sintomática mas embute equívocos circunstanciais de avaliação tanto da prefeita como de presuntivos aliados

13/04/2022 1026 visualizações

Há forte pressão sobre a prefeita Cínthia Ribeiro para definição de apoio a candidatos ao governo. Dias atrás, Cinthia teria declarado que o apoio a Eduardo Gomes era apenas a Eduardo Gomes.

Conclusão óbvia: pode apoiar Ronaldo Dimas (candidato de Gomes) mas já seria outra conversa. No popular: por enquanto Dimas não tem seu apoio. E se não tem, outro pode ocupar o vácuo.

A declaração não acrescentou politica e eleitoralmente em nada a Cinthia. Até porque tem prazo (as convenções vão de 20 de julho a 5 de agosto) para verbalizar suas vontades políticas e antecipá-las desta forma subtrai mais que soma, tanto na exclusão como na dúvida que se pretendeu, pelo modo como dado, inclusiva. Mesmo dividindo um partido:o PL de Dimas e ]Gomes sobre preferências eleitorais.

Mas sujeitou a prefeita ao raciocínio inevitável de que estivesse oferecendo-se nas prateleiras quando se tem público sua base de sustentação que não foi irrelevante na sua reeleição.

Cínthia, apesar da administração que faz, não conseguiu, ainda, formar um grupo político consistente. Alinha-se com a deputada Dorinha Seabra e o senador Eduardo Gomes. Tenta agora com a expulsão de deputados do partido em que, por razoáveis motivos, não confiava, substituí-los por aliados. Mas tem o eleitor no meio.

Com efeito, a pressão sobre Cínthia é justificada, em maior intensidade, pelo raciocínio lógico de que, como prefeita, tivesse autonomia sobre os 180 mil votos da cidade (maior colégio eleitoral do Estado). Suficientes, em tese, para definir uma eleição.

Ainda que as movimentações políticas tanto da prefeita como dos interessados no seu apoio levem a dar validade ao raciocínio, também eles próprios sabem que não é bem assim, que o eleitor tem sua própria lógica. Há fartos exemplos de alteração de humor e avaliação do eleitorado.

O eleitor não elege políticos só pelo trabalho que desenvolve e sim onde e como o faz. Não há dúvidas, por exemplo, que João Dória (do PSDB de Cínthia) faz uma administração respeitável em São Paulo mas não tem essa certificação nas pesquisas de intenção de votos.

É provável que a prefeita tenha também que enfrentar, no semestre eleitoral, as questões advindas da alteração na administração quando não só substituiu servidores que se desincompatibilizaram como aproveitou para agrupar pastas e extinguir outras que tomarão tempo para mostrarem resultados. Isto com o avanço do calendário eleitoral não é produtivo.

Uma decisão que, pragmaticamente, levaria a conclusão de que não estivesse preocupada com apoios eleitorais e candidaturas, mas apenas com a administração da cidade. E todos sabem que também não é bem assim.

 

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