É possível medir-se o grau de combustão da matéria pela forma cordata (quase franciscana) com que o líder da prefeita Cínthia Ribeiro, vereador Rogério Freitas e o ex-presidenta da Câmara (atual presidente da CCJ), Folha Filho (aliado do Paço Municipal) refutaram nesta terça a adesão da Prefeitura a uma ata de R$ 62 milhões para a aquisição de empresa com a finalidade de digitalizar documentos do Executivo metropolitano.

Isto mesmo: quando se reivindica UTIs Covid, a Prefeitura estaria comprometendo orçamento com digitalização que é importante mas, como é lógico, subordinada a prioridades imediatas que não é.

E se já tivesse orçamento empenhado, do ponto de vista político, uma temeridade diante da inevitável falta de entendimento da população que fora indagada optar entre papéis digitalizados ou mais UTIs e vacinas, não teria dúvidas. E não entendimento é apenas escala  para a não compreensão. E daí para crítica, vai por gravidade.

Ainda que fosse possível disporem de fundamentos válidos quanto à forma e mérito, as circunstâncias políticas e sanitárias não só de Palmas mas do Brasil aconselhariam o poder público a eleger prioridades.E com um agravo: o vereador Moisemar Marinho apontou que o governo federal teria disponibilizado o mesmo software. Fato refutado pelos aliados de Cínthia, mas de comprovação não difícil de sua existência ou inexistência.

E a contratação por R$ 62 milhões de digitalização com um contrato de xerox da ordem de R$ 1,8 milhão mensais ainda em vigor  (como convergiram aliados e adversários da prefeita) certamente não contempla as necessidades imediatas de uma cidade que registra sistema de saúde colapsado, UTIs 100% ocupadas, pacientes sofrendo com a falta de oxigênio na UPAs e profissionais cobrando EPIs.

Uma cidade que registrava ontem 35 mil e 331 contaminados (o maior número do Estado) e 371 óbitos. Um índice de isolamento social de 31,5% e a Prefeitura fiscalizando ruas, comércio e festas que conspiram a favor da contaminação.

São questões que antecederiam a compra do software e precederiam a tomada de decisão sobre o assunto que, obviamente, o Executivo teria legitimidade para executar sem necessitar de aprovação dos vereadores e considerando valores e forma como adequados à legislação. Caso contrário, a ação da Câmara deveria ser outra.

Ainda que os aliados da prefeita tivessem tentado convencer os demais vereadores de que a adesâo à ata não fosse comprovação da compra, como de fato não é, na tentativa de dourar a pílula. Mas todos sabem como isto se dá bastando prescrutar a execução do contrato e do orçamento. E que se diga, não é uma coisa criada pela Prefeitura de Palmas,  mas presente em praticamente todas as esferas.

Contra as denúncias na Câmara, os dois vereadores governistas se dedicaram, também, a criticar os seus pares, atravessando discussões diversas como a data-base dos servidores e até contrato do ex-prefeito Carlos Amastha que, como é público, fez o que quis do parlamento metropolitano sob o silêncio dos mesmos vereadores (Rogério/Folha) que hoje, para defenderem Cínthia esgrimiram os contratos que não denunciaram em Amastha.

A prefeitura deve mesmo precisar da digitalização. Mas o comprometimento do orçamento nas atuais circunstâncias não é ação adequada tanto quanto se dá como inoportuna.

 

 

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