Quinta-feira, 5 de Fev de 2026

O Despertar das Riquezas: O Tocantins na Vanguarda da Nova Economia Mineral

Por Júlio Edstron S. Santos
05/02/2026 53 visualizações

A mineração brasileira vive um momento de redefinição histórica, consolidando-se não apenas como base da balança comercial, mas como a espinha dorsal de uma revolução tecnológica global. Em 2025, o faturamento do setor atingiu a expressiva marca de R$ 298,8 bilhões, um crescimento de 10,3% impulsionado pela valorização de metais nobres e pela demanda insaciável por insumos da transição energética.

Mais do que números em uma planilha, essa performance traduz-se em vitalidade social: o setor encerrou o último ano com mais de 229 mil empregos diretos e um número ainda mais alto de vagas preenchidas na cadeia produtiva, funcionando como um porto seguro de empregabilidade em um cenário econômico desafiador.

Nesse tabuleiro de riquezas, o estado do Tocantins desponta como a mais nova, promissora e possivelmente, a última fronteira mineral do país. Tradicionalmente reconhecido pelo vigor do seu agronegócio, o estado agora verticaliza sua economia ao atrair investimentos bilionários em projetos de extração.

O Tocantins não é mais apenas uma promessa; é um canteiro de obras e inovações que projeta investimentos vultosos em projetos em diversos municípios. Esta nova fronteira representa a descentralização do desenvolvimento, levando infraestrutura e renda para regiões que agora veem no subsolo o combustível para o seu futuro.

Para compreender essa magnitude, é importante distinguir os elementos essências dessa cadeia. O termo minerais abrange todos os compostos inorgânicos naturais, desde o ferro que sustenta nossas cidades até o calcário e remineralizadores que corrige nossos solos.

No entanto, o século XXI trouxe uma nova categoria de prestígio: os minerais críticos. Estes são elementos essenciais para a economia moderna, cuja escassez ou interrupção no fornecimento pode paralisar indústrias inteiras, como o lítio para baterias e o cobre para a eletrificação total das redes de energia.

Subindo mais um degrau na escala da sofisticação tecnológica, encontramos as terras raras. Trata-se de um grupo de 17 elementos químicos que são os "temperos" da alta tecnologia: sem eles, não existiriam os potentes ímãs dos motores de carros elétricos ou os semicondutores que dão vida aos smartphones.

O Brasil detém a segunda maior reserva potencial desses elementos no mundo, posicionando-nos como um competidor geopolítico estratégico. No Tocantins, essa riqueza mineral assume uma face muito diversificada, onde cada vaga direta na mina sustenta até onze postos de trabalho na cadeia de serviços local, do transporte à hotelaria.

A "estatística da esperança" para o Tocantins reside no potencial geológico ainda subexplorado. Enquanto estados tradicionais já possuem mapeamentos exaustivos, o Tocantins é uma página em branco que começa a ser escrita com letras de ouro e minerais 

estratégicos. A atuação estatal e, principalmente do setor empresarial, tem sido peça-chave nesse processo, promovendo o licenciamento célere e responsável que atrai o capital estrangeiro para o solo tocantinense, transformando municípios como Almas, Natividade e Paranã em novos eixos de prosperidade.

Uma das bases sólidas desse desenvolvimento é a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). Regulamentada pela Lei nº 13.540/2017, essa contraprestação paga pelas mineradoras deixou de ser um recurso periférico para se tornar protagonista no Tocantins; entre 2020 e 2025, o estado consolidou uma trajetória de arrecadação ascendente, saltando de patamares modestos para valores que ultrapassam as dezenas de milhões de reais anuais.

Pela sistemática atual, a riqueza do subsolo é distribuída de forma a mitigar impactos e fomentar o progresso: 60% são destinados aos municípios produtores e 15% são reservados aos municípios afetados pela atividade minerária — como aqueles que abrigam ferrovias, rodovias, minerodutos ou estruturas logísticas. Essa possibilidade financeira garante que a exploração de recursos não renováveis se converta em benefícios diretos e perenes para a população, financiando investimentos cruciais em infraestrutura, educação e saúde pública, sendo que estes recursos devem gerar uma nova e sustentável governança municipal

Contudo, a verdadeira genialidade econômica não reside apenas na extração, mas na industrialização desses excedentes. O potencial de utilizar a produção mineral para fomentar uma indústria metalúrgica, de fertilizantes e remineralizadores dentro do estado é o que transformará o Tocantins em um polo de inovação e prosperidade.

Para que esse ecossistema atinja sua plenitude, é fundamental o fortalecimento institucional através de políticas públicas de fomento e parcerias público-privadas audaciosas que apoiem desde o grande industrial até a mineração artesanal em sua transição para a legalidade tecnológica.

Nesse cenário, o Sindicato das Indústrias de Mineração emerge como o elo vital, atuando como o grande articulador entre o saber acadêmico e o mercado. O incentivo estatal à pesquisa e à divulgação da área é o que garantirá que o conhecimento técnico se transforme em desenvolvimento regional.

Também a academia faz o seu papel com um projeto preliminar da Universidade Federal do Tocantins para captar recursos públicos e privados para um multilaboratórios de pesquisa mineral que pode posicionar nosso estado a frente de inovações em toda a Região Norte.

A excelência desta nova era mineral tocantinense não se mede apenas pela profundidade das cavas, mas pela altura dos horizontes que ela descortina. Ao estimular o mapeamento geológico fino, com pesquisas geológicas e geofísicas o estado deixa de ser um mero exportador de commodities para se tornar um exportador de soluções sustentáveis.

O futuro exige uma mineração que seja "verde" por definição. Os minerais críticos e as terras raras são os insumos da descarbonização. Ao minerar esses elementos com responsabilidade socioambiental, o Brasil e o Tocantins tornam-se guardiões do clima global. A empregabilidade no setor também evoluiu: hoje, uma mina demanda geólogos especializados em modelagem 3D e operadores de sistemas autônomos, carreiras de alta remuneração que fixam talentos no interior do estado.

Olhando para 2026 e além, o Tocantins está pronto para capturar uma fatia generosa do ciclo de investimentos globais. Com logística privilegiada — ferrovia e hidrovia — e um ambiente de negócios amigável, o estado se posiciona para ser o grande hub mineral do centro-norte brasileiro, com autorizações de funcionamento céleres e seguras. A mineração, portanto, deixa de ser uma atividade isolada para se tornar o motor de uma rede de progresso regional sem precedentes.

O desafio, agora, é converter cada grama de ouro, cada tonelada de calcário e remineralizadores em capital intelectual, garantindo que a riqueza que nasce no subsolo floresça em forma de inovação e soberania para as próximas gerações de tocantinenses. Dominar essa cadeia é o que garantirá que o país não seja apenas um espectador da revolução tecnológica, mas um de seus protagonistas.

O Tocantins, com sua terra fértil e subsolo rico, é a síntese desse novo Brasil: um estado que alimenta o mundo com seus grãos e carne de qualidade e que agora se prepara para iluminar o futuro com seus minerais.

Julio Edstron Santos é ex-secretário da Fazenda do Estado do Tocantins, advogado da Minetax Consultoria Tributária, graduado em Direito pela Universidade Presidente Antônio Carlos (2008), Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília (2014). Doutor em Direito pelo UniCEUB. Pesquisador do Centro Universitário de Brasília. Professor do Curso de Direito da Fbr. Membro dos grupos de pesquisa Núcleo de Estudos e Pesquisas Avançadas do Terceiro Setor (NEPATS), Políticas Públicas e Juspositivismo, Jusmoralismo e Justiça Política do UNICEUB. Editor Executivo da REPATS. E-mail: edstron@yahoo.com.br.

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