Sábado, 24 de Out de 2026

Prefeitos do Jalapão dizem que estavam desinformados por agentes de turismo que amedrontaram a população e saem do Palácio defendendo concessão!!! E agora José???

15/09/2021 1842 visualizações

Quando há duas semanas apontei aqui a distorção da militância (inclusive parcela da imprensa) que levou quilombolas, vereadores e prefeitos a uma manifestação patética na praça dos poderes na Capital contra a concessão de parte do Jalapão, fui considerado mercantilista e entreguista das riquezas do Estado.

Os “defensores das riquezas do Estado”, isto estava muito claro, faziam uso de premissas falsas que, por óbvio, só levariam a conclusões falsas. Tanto a premissa maior quanto a premissa menor concorriam para uma falsa analogia.

Primeiro porque o governo apenas obtinha autorização legislativa para iniciar o processo. Segundo: as terras de quilombolas e de comunidades tradicionais não estavam no projeto, só imóveis do governo. Terceiro: as concessões de parques são um projeto do governo federal/BNDES em todo o país.

Mais: Quarto: concessão não é privatização. Quinto: a lei determinava as audiências públicas. Sexto: só depois é que se faria o edital ou não. Sétimo: tudo isto aí terá que ser fiscalizado pelo Ministério Público, TCE, Naturatins. Ibama e ICMBio. Ou seja: quatro a um contra o governo. E não menos relevante, a concessão iria propiciar novos investimentos privados na região atraindo mais turistas e, claro, gerando mais circulação de grana, mais empregos e mais impostos.

Não haveria assim fundamentos ou argumentos racionais para a antecipada resistência. Daí descambarem para a ideologia de raça e social espetando na discussão o atavismo e a centenária pobreza e negritude do Jalapão. Uma equação contraditória dado o viés de inércia que se defende e que concorreria para a manutenção da mesma pobreza.

Ora, os presuntivos prejudicados – que faturam em conjunto R$ 180 milhões/ano com pacotes turísticos com preços individuais entre R$ 3 mil e R$ 5 mil – não modificaram a situação de miséria da região.

E tampouco aumentaram a frequência de tocantinenses no lugar (pesquisa do Banco Mundial registra que apenas 0,2% da população do Estado conhece o Jalapão/8% dos 40 mil turistas anuais).

Se tudo isto é verdadeiro, não é a inércia que iria alterá-lo. Afinal, seguindo a primeira lei de Newton, “todo corpo permanece parado ou em movimento retilíneo uniforme (MRU) a menos que uma força seja aplicada nele”.

Por que escrevo isto: porque ontem os mesmos prefeitos (que se divulgou que estivessem naquela manifestação de 2 de setembro) – apenas repassando informes dos líderes – saíram do Palácio Araguaia dando declarações públicas de que a concessão do Jalapão será benéfica para a região!!!

Apontaram, dentre outas coisas, que havia desinformação e que os quilombolas foram amedrontados pelo que ouviram dos agentes de turismo. O prefeito de Mateiros, João Pastor, por exemplo (onde está 100% do parque) reverberou que o projeto irá levar desenvolvimento à região. E que vai levar a informação à população. O mesmo repetiu a prefeita Sussu (Lizarda) e o presidente da Associação Tocantinenses dos Municípios, Diogo Borges.

Os prefeitos saíram convencidos de que a concessão será boa para todos. Inclusive para os agentes de turismo. Tudo que já estava previsto no projeto criticado. Obviamente, a mudança escancara o moto-contínuo da resistência e a sua finalidade.

E agora José???

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano