Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Prefeitos certificam Carlesse como municipalista, com recursos da oposição. Tudo que o Governador buscava desde o Legislativo!!!

luizarmandocosta 09/07/2020 384 visualizações

O governo entregou mais máquinas a prefeitos ontem. Diz-se, agora, que 98 prefeituras já teriam recebido o maquinário. Os prefeitos de Palmas, Gurupi, Paraíso e Porto Nacional saíram da entrega tecendo avaliações positivas sobre a ação, sugerindo originárias de um governo municipalista. Ou seja: tudo que Mauro Carlesse persegue, do ponto de vista político, desde que assumira a presidência do Legislativo estadual.

A oposição tem chiado. Há prefeitos (que ainda não receberam as máquinas) fazendo conexão entre a não entrega e uma suposta ligação com deputados e senadores de oposição que elegeram uma frente em defesa do bônus político de sua viabilização.

Um direito mas prefeito nenhum vai ficar contra a máquina do governo em tempo de eleições e quando terão mais dois anos pela frente com o mesmo governador. E numa crise financeira sem precedentes. De outro modo: a ação da oposição é inócua. E pode resultar em efeito contrário: os prefeitos dela se afastarem por óbvio.

A razão indica, por outro lado, que as máquinas (o benefício) sobrepusessem aqueles que a viabilizaram (deputados e senadores). Além do objeto (e da necessidade da população) parlamentares são eleitos é para isto mesmo e são pagos antecipadamente com o voto. Primeiro o eleitor entrega-lhe a representação, depois, no segundo momento, é que ele vai entregar de volta a contrapartida. Com os governadores  e prefeitos não é diferente.

É uma situação que, a priori, refutaria os agradecimentos dos prefeitos ao governo e à bancada. O governo apenas licitou as máquinas (uma obrigação legal) e os parlamentares da bancada que reivindicam politicamente o bônus dos equipamentos (e que seriam destinatários dos agradecimentos), apenas seis dos onze deputados e federais da bancada de 2017 (que colocou a emenda) estão no cargo (senadores Kátia Abreu e Irajá Abreu e os deputados Carlos Gaguim, Dorinha Seabra, Dulce Miranda e Vicentinho Junior).

Destes, apenas  dois (Gaguim e Dorinha) hoje da base governista o que implica em que os reclamantes fossem todos da oposição no governo anterior (das emendas), quando o Palácio (Marcelo Miranda) tinha como aliados oitos dos onze.

Hoje Mauro Carlesse pode ter na base (com pouca margem de erro) os federais Carlos Gaguim, Eli Borges, Osires Damaso, Dorinha Seabra e Célio Moura. E o senador Eduardo Gomes. São oposição declarada Tiago Dimas e Vicentinho Junior. Com dois senadores de oposição: Kátia Abreu e Irajá Abreu. De outro modo, praticamente a mesma relação que Marcelo Miranda mantinha com a bancada em 2017.

De forma que quando os prefeitos agradecem a bancada e a Mauro Carlesse, a honraria (ainda que se possa positivar a licitação do governo e entrega das máquinas) deveria ser endereçada a Marcelo Miranda e a bancada federal de três anos atrás.

Mesmo que se possa ter que, daquela bancada, alguns não tenham assinado a ata da destinação dos recursos, sugerindo que não concordassem com ela, como os senadores Kátia Abreu, Irajá Abreu, Lázaro Botelho e, curioso, o deputado Carlos Gaguim, um dos que mais tem propagado ter viabilizado os equipamentos e também que não apôs a sua assinatura nas emendas de bancada.

Ou seja, na dúvida sobre origem, prevaleceu, evidentemente, a decisão de Mauro Carlesse, mesmo, em dado momento, indicando a proveniência das emendas, sem, lógico, citar os parlamentares que a endossaram quando poderia também nominar aqueles que não a assinaram, impondo-lhes, em sentido inverso, nas circunstâncias em que se colocaram, o ônus das devidas explicações.

Compartilhar

Deixe seu comentário

Mais em Ponto Cartesiano