O prefeito Eduardo Siqueira garantiu na noite de ontem ao Política & Acessórios uma decisão sobre o assunto Praia dos Buritis.
A Justiça devolveu na última quinta, 16, parte das praias a empresários contra a posse de quase 30 anos dos barraqueiros. Eo acesso público a população de baixa renda.
Destacou o prefeito, com larga margem de razão, o interesse público e a preservação da democratização da orla de Palmas.
Disse o prefeito ao Política & Acessórios na noite de ontem: “Agiremos com firmeza e prudência. Aproveito para dizer que a ex-prefeita Cinthya fez o que lhe cabia, cumprindo as determinações pertinentes ao caso”.
Eduardo pode ter nos PLCs que pediu de volta à Câmara de Vereadores ferramentas para solucionar a questão da Praia dos Buritis.
O PLC da Lei do Uso do Solo, PLC da alteração do Plano Diretor e o PLC do plano de ocupação da área aeroportuária e sem entorno.
Ele salientou ao blog que pediu a devolução dos PLCs, não por ver irregularidades, mas por prevenção e debate: "Prevenir assuntos semelhantes a da praia dos Buritis, dentre tantos outros interesses, é que achei saudável para o futuro da nossa capital, trazer luz para um assunto tão importante."
A problemática é o tempo: se a decisão judicial não for alterada, até lá a Praia dos Buritis ficará sob tutela de empresários de loteamentos.
Eduardo não tem perfil de extremista e não é adepto de radicalismos. Pelo contrário: tem histórico de negociação e articulação política.
Ele tem, entranto, a pressionar-lhe uma questão principial: o pai, ex-governador Siqueira Campos, quando planejou a cidade, delineou a orla a partir da cota 212 e a sua ocupação com áreas públicas de lazer (praias).
Pode-se opor a princípios políticos de Siqueira Campos, mas uma é incontestável: sua preocupação com os necessitados. Talvez por sua própria história de retirante do sertão nordestino.
A medida (em lei) era um antídoto antecipado a empresários e conglomerados de restringi-las do acesso do povão.
Muitos com informações privilegiadas adquiriram áreas abaixo da cota e acima (próximo do limite dela).
Aquelas abaixo da cota era só questão de tempo para submergir nas águas do lago (por valores irrisórios).
De olho nas indenizações do consórcio de uma futura UHE que ainda residia só no papel. Tanto a hidrelétrica quanto o consórcio.
E aquelas do limite da cota, para implantar seus empreendimentos na orla do lago. Um financiaria o investimento do outro.
O comprado na baixa seria indenizado na alta para bancar os empreendimentos acima da cota 212, a verdadeira intenção comercial.
O povo de Canela, Santa Luzia e Mangues não tinha noção dos valores de seus imóveis nem onde ficaria, no futuro, o filézão.
Sequer sabia o que era “essa coisa” de Cota 212. Foram, depois, em larga maioria, alojados em Taquaralto em casinhas do “BNH”.
E agora esses empresários querem retirar-lhe até o direito de fazer um piquenique com a família e uma caixa de isopor com farofa de frango e cerveja Glacial.
Eduardo tem consciência que deve agir. E rápido. Já deve estar escutando de Siqueirão em sonhos: “Eduardo, meu filho, resolva logo isso!”. Nosso povo não pode ficar desamparado”


