Há movimentos na população que guardam mais semelhança com reação política coordenada (ou impulsionada) do que reivindicação legítima de caráter coletivo. Ou seja, a vontade individual buscando prevalecer sobre a geral que, em tese, é materializada nas decisões dos representantes.
A razão indica que, nas democracias republicanas, as prerrogativas da sociedade acabam se tornando as do governo, representante da vontade geral com os plenos poderes da delegação.
É o caso das transferências dos pacientes do Hospital Materno Infantil para um ala do Hospital Geral de Palmas com entrada e saída exclusivas. De outro modo: um hospital dentro de outro hospital. Com transferência prevista para o final do mês de maio.
A tese reivindicatória da não transferência é que o governo estivesse fechando o Hospital Materno Infantil quando poder-se-ia observar de forma diferente: o Materno Infantil agora teria melhores instalações, mais leitos e o dobro de UTIs.
E, claro, colado no Hospital mais aparelhado do Estado, disponível a atender emergências não possíveis no Materno, cujo prédio fica hoje a cerca de 800 metros do HGP, do outro lado da Avenida Teotônio Segurado.
A idéia que se dá é que se estivesse a defender a fachada e a logomarca Hospital Materno Infantil, uma espécie de patrimônio até cultural. Pura memória.
Isto porque o prédio (que é particular), ainda que se tente conservar, tem quase três décadas. Já foi clínica particular, hospital particular (conveniado) e agora o Materno. E mais ainda curioso: ciclicamente objeto de críticas, por parte dos usuários, pelo seu estado.
Mais não bastasse, argumenta o governo ter economizado, com a mudança, cerca de R$ 100 mil mensais com aluguel e a reforma das alas do HGP estariam sendo feitas sem desembolso financeiro do Estado, não interferindo no seu fluxo de caixa. O que não quer dizer sem custo já que a empresa responsável trocou a dívida com o governo (ativo) pela melhoria das instalações.
De outro modo: nada leva à conclusão de que o governo estivesse extinguindo o atendimento especial e diferenciado às crianças, como fazia no Materno Infantil.
O resto é política ou preconceito com o HGP que, apesar dos problemas, tem a melhor equipe de profissionais e de equipamentos do Estado. No HGP, aliás, enumeram-se mortos e deixam-se de lado aqueles que ali readquirem suas vidas. Um pêndulo que se movimenta para apenas um dos lados.


