Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Aliados da prefeita Cínthia Ribeiro otimistas com declaração que teria sido dada por membros da Executiva nacional do PSDB de que ela tivesse garantida legenda para disputar a reeleição.
Vejam bem: Ataídes de Oliveira, presidente regional do partido, é candidato declarado à sucessão de Cínthia. E tem a quase unanimidade dos convencionais. Se for no voto na convenção, Cínthia hoje teria pouca ou nenhuma chance. Para a Nacional garantir sua candidatura (à revelia da convenção) seria necessário uma intervenção.
O PSDB não tem histórico de intervenção. Empurra decisões com a barriga no seu murismo tradicional até o problema solucionar-se por gravidade. Não expulsou Aécio nem Azeredo enrolados na Operação Lava-Jato tampouco mexeu com João Dória quando decidiu apoiar Jair Bolsonaro contra a orientação partidária.
Ainda que a nova Executiva (onde Cínthia é vogal) seja composta de nomes novos, o partido, filosoficamente, segue ainda FHC, Serra, Aloysio Nunes, Tasso Jereissati. O pragmatismo de Dória (atualmente o maior líder do ponto de vista eleitoral), com seu liberalismo conservador, é recente e não alterou o espectro social/liberal do partido que tem uma índole menos beligerante e mais propensa a deixar escolas para os membros do diretório, sem práticas intervencionistas exógenas.
O bom senso indicaria ser Cínthia a melhor opção. Faz um bom trabalho na cidade, é receptiva, tem carisma e a máquina na prefeitura nas mãos. Mas em política bom senso nem sempre é a régua.
A disposição de Ataídes para o confronto deixa Cínthia com poucas duas saídas: negocia, vai para o embate provocado pelo ex-senador apostando na promessa de apoio da Nacional ou muda de partido, cada vez mais escassos dada a profusão de pré-candidatos. E para isto, tem apenas 120 dias pela legislação eleitoral.


