A declaração ontem do vice-governador Laurez Moreira (pré-candidato do PSD ao governo) de que não haveria crise com o senador Irajá Abreu (PSD) mas descartando uma terceira candidatura ao Senado – colocada pelo parlamentar – é contraditória no seu próprio enunciado. E diz muito da candidatura do PSD.
O palanque dividido, no entanto, não é o maior problema do PSD/PT. É tão somente consequência de causas não atacadas na raíz. Pelo contrário, desenvolvidas.
E que persistem com a nomeação de um militar para a vice-governadoria. Um cargo político e ativo indiscutível na composição de uma chapa majoritária.
Isto depois da experiência dos militares no governo federal. Mas aceita, agora, pelo PT estadual.
Laurez buscou o coronel Silva Neto que, como militar e elegível, só é obrigado a filiar-se a partido após as convenções.
Silva Neto que, no anúncio, já foi cobrado a explicar-se sobre fotos com Jair Bolsonaro. E disse que vai filiar-se ao PSD.
Nem precisava, bastava ter a conduta da PM no Estado - parte sob seu comando - nas manifestações bolsonaristas na pandemia e na defesa do golpe.
Contrário senso: Laurez pode não ter conseguido entre a janela partidária e as convenções um candidato civil filiado a partido para o cargo que atendesse o seu propósito.
E que sempre foi compor a chapa nem-nem. Nem Lula, nem Flávio. Muito pelo contrário.
Mantendo, assim, as causas que fizeram-no, curiosamente, distanciar-se de Irajá e do PT.
O PT, mais pragmático, aceitou a sem-vergonhice política.



