Depois de ameaçarem o Estado por uma greve de policiais civis contra a nomeação de um delegado na Secretaria de Segurança Pública, o Sindicato da categoria reuniu-se com representantes do governo.
E saiu com expectativa de ter as reivindicações do setor contempladas pelo poder público.
Duas questões: o delegado não seria problema (como nunca o foi) para o Sindicato (como prova o armstício) e os civis não estariam mobilizados para uma greve por causa tão ilegítima quanto arreganhadamente inconstitucional.
E, não menos relevante, o Sindicato fazia uso da sociedade que o emprega refém de reivindicações salariais de que se acha merecedor. Muito claro na reunião (e seu resultado) depois da ameaça.
Secretários são nomeado pelos governos em função de competência constitucional. Policiais são servidores públicos pagos pelo contribuinte. Um dos maiores salários da categoria do país.
Se quiserem nomear secretários, que se dirijam às urnas sem as armas.
Aquiescendo à chantagem, pode o governo ter distensionado o movimento e demonstrado preocupação com a segurança da população.
Mas também ter apenas mantido a inércia de não “mexer” com delegados, policiais, promotores e juízes. Um caso recorrente.
Contrariando a própria orientação da polícia que não negocia com chantagistas a vida de reféns em troca da liberdade do chantageador.
No Estado tem funcionado uma concertação onde Executivo não mexe com Legislativo ou Judiciário, Ministério Público e Tribunal de Contas em favor do status quo de todos eles.
E a população, que vai colocar nisso aí R$ 17 bilhões (previsão que pode aumentar) este ano que se vire no papel de ameaçada e refém do sistema.
É o suprassumo da semana que se encerrou ontem.


