Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Pode ser didática para governo decisão judicial determinando transparência na Covid-19

luizarmandocosta 22/08/2020 160 visualizações

A Justiça novamente determinou ao governo transparência na administração dos recursos da Covid-19. Quando aponto os equívocos do governo sem nem mesmo fazer juízo de valor sobre suas motivações, muito governista vira a cara e empurra o blog para o terreno pantanoso da política partidária em que, no fundo, talvez se movam. De outro modo: o blog estaria a soldo de adversários palacianos. A maioria me conhece  muito bem e sabe da minha linha. Quando indico os acertos, seria o blog isento.

Sai ano e entra ano é a mesma coisa. No governo Marcelo Miranda a Comunicação fez campanha contra o blog. Não anunciava e ainda sugeria a empresários que fizessem o mesmo. Tudo porque eu comentava todos os dias os desvios do governo. Fazia isto diariamente não porque quisesse, mas porque os equívocos aconteciam a cada 24 horas. Os processos na Justiça Federal os certificaram.

No governo Mauro Carlesse ainda não fizeram uso da tática e, creio, não o farão. Carlesse (e os que o cercam) tem mais inteligência (pelo menos até aqui) do que a catrevagem que mandava no governo de Marcelo. Não sem o seu consentimento tácito.

O governo faz uso de um método na administração da pandemia que sugere estivesse poupando recursos para outras destinações. Ele se arrisca a isto quando tergiversa sobre as transferências federais para a Covid que caíram na conta do Tesouro.

Um expediente facilmente desmoralizado com uma simples busca nos portais do BB, da Secretaria do Tesouro Nacional e do Ministério da Saúde. A administração, assim, assume o risco de ser confrontada. A falta de transparência leva a questionamentos. A não ser que o governo imagine ter adquirido uma hegemonia na sociedade e que qualquer coisa que faça ou indique, a massa faça genuflexão. Neste contexto, já ser foram até ontem 556 vidas.

Tergiversa também, por exemplo, quando divulga que contratou o Centro Oncológico de Palmas para a Covid. Uma simples busca no Diário Oficial mostra que não há contrato com o hospital. E sim com uma entidade (Instituto de Saúde) contratada por R$ 20,6 milhões por seis meses. Ou seja, não há responsabilidade do Centro Oncológico com o governo. Pelo menos oficial. O que leva à dedução de que há uma terceirização dentro de outra terceirização.

E o Governador segue a esparrela: entra em conflito com o prefeito de Gurupi tendo como espada uma outra situação fantasiosa: o governo teria ajudado a prefeitura com 10 leitos UTIs quando apenas dividiu os 20 já existentes no Hospital Regional.

Narrativa inventiva pura. Foi obrigado, um dia depois, a mostrar o que realmente existe. Ainda que se reconheça o esforço de Mauro Carlesse para angariar recursos e terminar as obras do Hospital Geral da cidade, iniciadas lá no governo de Siqueira Campos.

São fatos inequívocos e se o governo aposta nas narrativas teria um objetivo. Afinal, são questões muito claras que não dependeriam do governo para expandir-se de público.

O juiz Gil de Araújo Correia não titubeou na caneta: "A presente demanda foi protocolada em 29 de maio de 2020, quase três meses após o surgimento da doença no Brasil, e mesmo com o deferimento da antecipação de tutela em diversas momentos processuais ficou evidenciada a resistência do requerido na disponibilização de informações públicas de suma importância para respaldar a atividade funcional dos órgãos de controle, Ministério Público e Defensoria Pública, que se depararam no transcurso do processo com divergência das informações publicadas com a realidade dos serviços entregues a sociedade".

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