A decisão do governo de comprometer-se em pagar dívidas do Plan-Saúde (Jornal do Tocantins deste domingo) com fornecedores (R$ 92 milhões reconhecidos), ainda que atendendo decisão judicial deve ser tomada como relevante. O governo poderia recorrer, evidentemente. Mas decidiu negociar e pagar.
Abre a possibilidade de retorno do atendimento em hospitais particulares (como o Osvaldo Cruz) na medida em que dá ao prestador de serviço condições de se programar a partir das parcelas a serem pagas dentro de um cronograma pré-estabelecido de desembolsos.
Essa roda-viva do Plan-Saúde vem de muito tempo. Dias atrás conversando com o secretário de Administração, Edson Cabral, dizia-me que um dos problemas seria o enquadramento das glosas. Haveria diferenças entre o apresentado pelo prestador de serviço e o avaliado pelo governo.
E claro, quem já teve parente hospitalizado ou ficou internado por algumas horas em hospitais particulares pelo plano de saúde, sabe a relação do que paga. Se usa uma caixa de algodão, corre-se o risco de ser cobrado por um fardo. Uma luva se transforma numa caixa de luvas e por aí vai. E a conta não cai apenas no governo, mas também no bolso do usuário na comparticipação.
Ou seja, quando governo faz auditoria na conta do hospital, está também favorecendo o usuário do Plan-Saúde.
E que se note: a situação não resolve o problema, apenas o adia. Isto porque o governo ainda não conseguiu regularizar a questão das contribuições.


