Há um recorte a ser observado mais detalhadamente nos números do censo demográfico publicado ontem pelo IBGE no que respeita ao Tocantins.
No Estado (apesar de a população de 2022 ser menor do que a estimativa com que trabalhava o IBGE), o número de habitantes cresceu apenas 9,17% entre 2010 e 2022. Cerca de 127 mil pessoas a mais no período.
Agora o problema maior: em 2012, o Estado tinha (conforme o Cadastro Único do governo federal) – pessoas na pobreza, extrema pobreza e baixa renda com possibilidade de acesso aos programas sociais do governo - 823,8 mil pessoas e hoje (abril/23) este número é de 905,4 mil pessoas. Um acréscimo de 82 mil pessoas (9,9%).
As pessoas no cadastro único do governo aumentaram em maior proporção do que o crescimento da população em uma década. Isto, cotejado com o aumento do PIB estadual no período vira uma equação escandalosa. De 2010 a 2023, o PIB do Estado cresceu 229%. Passou de R$ 17 bilhões (2010) para os atuais (previsão da LDO) R$ 56 bilhões. Uma diferença de R$ 39 bilhões.
No Tocantins, hoje (abr/23), essas 905 mil pessoas compõem 366 mil e 764 famílias cadastradas. Destas, 136 mil famílias (36%) estão em situação de extrema pobreza, 49,8 mil famílias (pobreza) e 96 mil famílias (26%) de baixa renda com menos de meio salário mínimo.
De outro modo: são 355 mil pessoas em extrema pobreza (famílias com renda per capita de até R$ 100 mensais), outras 147 mil pessoas na pobreza (renda de até R$ 200) e 264 mil de baixa renda.
Não à toa, o governo federal paga no Estado, a cada mês (2023) um total de R$ 12,4 milhões de Auxílio Brasil (Bolsa Família) e outros R$ 10,3 milhões mensais de BPC (Benefício de Prestação Continuada).


