Sábado, 24 de Out de 2026

Perdoa-me por me traíres!!!! Tem tudo para ser esvaziada reunião que Palácio quer fazer hoje com demais poderes sobre situação financeira. Enquanto não repassa duodécimo, fisco bate novo recorde de arrecadação

luizarmandocosta 28/11/2018 3111 visualizações

O fisco estadual bateu novo recorde ontem: fechou o dia com uma arrecadação de ICMS da ordem de R$ 263.690.687. A meta para os 30 dias do mês é de R$ 244 milhões. Faltando três dias de arrecadação para o final do mês, já superou a maior arrecadação registrada em 2018, os R$ 252.609.037 de julho.

O valor arrecadado só de ICMS em novembro até hoje é quase o volume de todas as transferências federais feitas em outubro: R$ 266 milhões (STN). E maior também que o FPE daquele mês: R$ 207 milhões. Diminuindo sensivelmente a dependência do governo estadual de verbas federais. Como o ICMS é apenas 75% das receitas tributárias, tem-se aí uma projeção.

Dito isto, sigamos.

O bate-cabeça do governo deveria provocar nos auxiliares de Mauro Carlesse uma reflexão necessária: o Executivo não é o Legislativo. Se na Assembléia, como presidente, suas ações tinham o anteparo dos deputados (um menor número de supostos combatentes), uma espécie de muro de contenção, no governo o confronto é direto entre o Governador, demais poderes e a população. Um maior número de envolvidos.

Numa metáfora ligeira, o grupo de Carlesse pilotava um teco-teco e, agora, não saberia tirar o Boeing do chão. Podem aprender a apertar o botão certo, evidentemente, mas para isto faltaria-lhes algo essencial: humildade para compreender dimensões que não as que já conhece.

Aparentam ter o copo cheio como é bem exemplo demonstrativo a intervenção que fez na Agência de Fomento (ontem revogada pelo Tribunal de Justiça) e os contratos nitidamente prejudiciais aos cofres públicos feitos na Secretaria de Saúde. Um duto de desvios de recursos no nariz do TCE, MPE, deputados e contribuintes.

O governo não é feito apenas de arremedos midiáticos como já apontei aqui mesmo antes de Carlesse assumir a administração estadual, quando o então presidente do Legislativo se armava de marqueteiros pagos com recursos públicos para buscar o Palácio Araguaia. Conseguiu e agora não saberia o que fazer com a administração e os números que ela movimenta.

Não é, portanto, produto do acaso a reunião antecipadamente esvaziada que o Executivo quer fazer nesta quarta com os representantes dos demais poderes pretextando preocupação com a situação financeira e fiscal a 30 dias do final do exercício e quando os deputados já aprovaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2019.

É uma aposta na idiotia coletiva e um armistício na guerra que enfrenta com os demais poderes. Seja pelo não repasse de duodécimos, seja por ações em que o acusam de improbidade administrativa com tão pouco período de administração. Ainda que alguns fossem originários de administrações pretéritas.

Mais tendo-se como público a dívida de R$ 194 milhões do governo com os poderes (JTo desta quarta). Um descompasso entre receita e repasses. O governo já realizou 64,2% das receitas previstas para o ano mas só repassou aos poderes, até esta data, 55% do valor orçado, quando deveria liberar, pelo menos, nos índices da execução orçamentária.

Uma equação que, se levada adiante, não levará a outro resultado: a terceirização do desequilíbrio fiscal do Executivo para os demais poderes que já tem problemas para enquadrarem receitas e despesas justamente pela retenção, pelo mesmo governo, dos recursos constitucionais obrigatórios destinados ao seu funcionamento.

Ou seja: o governo daqui a pouco trará à tona Nelson Rodrigues.

 

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