A PEC da Anistia deve passar por Câmara e Senado. Já avançou da Comissão de Constituição e Justiça e deve ser uma das discussões da semana. Há, por enquanto, uma maioria de parlamentares em seu favor.
E não poderia ser contra porque os partidos que os elegeram deixaram de aplicar R$ 740 milhões em candidaturas negras e outros R$ 136 milhões em candidaturas de mulheres no ano passado.
O desvio pode ser tipificado como crime. E ele se mostra mais vistoso no momento em que o país luta pelas igualdades raciais e de gênero.
E joga luz numa questão: 56% dos brasileiros são negros e outros 51% são mulheres. No Estado, 51% dos eleitores e outros 50,7% da população são mulheres. Já quanto à cor, 72,7% são pardos e negros. Apenas 24,5% são brancos, conforme o IBGE.
A PEC da Anistia passa um pano em tudo isto. O resultado não poderá ser outro: o desincentivo aos avanços e a manutenção do poder político de brancos e homens,num país e Estado de maioria feminina e negra.
Essa maioria aí, por razão numérica de representação, tem motivos de sobra para ir às ruas e dizer que Congresso, Assembléias e Câmara de Vereadores não os representariam.


