Sábado, 24 de Out de 2026

Paulo Antenor é expelido da casa de marimbondos que governo, em certa medida, está construindo para alargar base de apoio

17/12/2021 2145 visualizações

A exoneração do secretário da Fazenda, Paulo Antenor, publicada na noite de ontem no Diário Oficial, a uma semana de completar trinta dias no cargo, impõe conclusões mais abrangentes que as tentadas pelo esforço retórico oficial de decisão pessoal daquele que se amplifica ter optado por deixar o governo quando as circunstâncias indicariam dele ter sido expelido. Ou seja, mais por causalidades do que casualidades circunstanciais e atemporais.

Nada mais eloquente que a informação trazida nos grupos de wattShap do Fisco de sua ainda previsível demissão dois dias antes de efetivada a  exoneração e a celebração ontem à noite, a partir de informações internas de técnicos com acesso ao governador e ao núcleo de decisões do governo, contrariados com o tratamento que Paulo Antenor, mesmo se quisesse, não teria tido tempo em duas semanas e meia no cargo para avaliar, que dirá decidir.

Legitimamente democrático assim como a conexão que se pode fazer das movimentações antecedentes e o resultado delas procedente. Inclusive da nomeaçao, como Secretário da Fazenda interino, no mesmo DO, do Secretário Executivo do Tesouro,  um auditor de carreira e que poderá ser efetivado mais por sua compreensão política do governo  (e de quem ali dará as cartas) do que pela capacidade técnica que, indiscutivelmente, seria possuidor.

Isto por si somente já negaria a vontade solitária e, pelo prazo no cargo, até passional, de Paulo Antenor por deixar a Secretaria da Fazenda à deriva que, em absoluto, corresponderia com sua conduta na administração pública que se conhece até aqui. Uma pasta responsável por cerca de 47% das receitas primárias mensais do governo.

Situação que eleva a potência de agentes arrecadadores a, não raro, subverter a ordem natural das coisas, tendo como fundamento para suas reivindicações corporativas o desempenho que indiscutivelmente somam à administração.

Alguns fazendo uso de argumentos fajutos como ligando a demissão a uma suposta nomeação feita por Antenor sem conhecimento do Palácio que, ora, ora, é quem manda (Casa Civil) as publicações de nomeação para o Diário Oficial!!! Sem ligar para o fato que isto estaria em oposição a natureza do pedido da exoneação do Secretário publicada.

De forma que em pouco mais de duas semanas no cargo, o Secretário exonerado enfrentou com sua forma de administrar os servidores do Fisco  (que carregam o governo com arrecadação expressiva) e o fogo amigo dos que miravam sua posição, considerada estratégica em qualquer governo.

Nomeado sem qualquer indicação ou base política, faltou-lhe, portanto, defesa num governo, pela sua própria natureza, sujeito a idiossincrasias, quando interessa mais a quantidade do que a qualidade, na formação de massa crítica, política e partidária pela efetividade de situação ainda interina.

Em qualquer governo (ou empresa) por exemplo seria inadmissível o portador da chave do cofre assumir o papel de ordenador de despesas. Ou aquele que faz despesas deter a chave do tesouro. De outro modo: quem contrata, faz o pagamento.

Muito bem representado na presidência do Comitê Gestor (responsável por pagamentos) estar alojado o secretário de Infraestrutura, Jairo Mariano, um ex-prefeito e aliado de Wanderle Barbosa com passagens pela Fazenda, mas onde ainda conservaria bases de operação. Choque inevitável.

Paulo Antenor poderia amargar a distância da família (Brasília/DF) – algo que aliás não o fez demitir-se do mesmo cargo no governo Marcelo Miranda – mas o impulso de sua demissão estaria mais na casa de marimbondos que Wanderlei Barbosa parece construir para alargar sua base política.

E isto não pode levar a boa coisa. Mesmo governando com sertanejos, ainda seria uma casa de marimbondos, só que genuinamente tocantinense sem os forasteiros para levar a culpa.

Estariamos, portanto, avançando. Ainda que os métodos empregados aparentem representar igual perfil do alienígena afastado que se quer distanciar-se.

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