A base parlamentar e politica do governador Wanderlei Barbosa parece viver uma descoordenação motora.
Depois de no meio da semana dois deputados estaduais baterem boca nas comissões por interesses contrariados, ameaçando a exposição de supostas ilegalidades que estariam sendo cometidas no Legislativo (omitindo-as do distinto público), parlamentares aliados do Palácio fizeram coro ontem na defesa do Governador contra tentativas dos adversários de interromperem o seu governo.
É quando a vontade contraria a representação. Ou vice-versa.
Senão vejamos:a base de Wanderlei é composta por oito (unanimidade) deputados federais e dois (dos três) senadores. Na Assembléia Legislativa tem seguramente 23 deputados aliados. Apenas um oscila entre votar ou não com o governo.
Escapa desse perímetro, dentre os deputados estaduais, federais e senadores, tão somente o senador Irajá Abreu, voz isolada no Senado apontando, no fórum inapropriado, o que considera inadequado no Estado.
Irajá teve, na disputa com Wanderlei no ano passado, 63.048 votos (7,61%), a quarta pior votação. E ainda colaborou para a não reeleição da mãe, senadora Kátia Abreu, no que favoreceu a senadora Dorinha, da chapa majoritária do Governador.
O Governador saiu das urnas com 481.496 votos (58,14% ). Ou seja, 418.448 votos a mais do que Irajá, num eleitorado de 1 milhão de eleitores e oito candidatos ao governo. E tem a caneta do Palácio Araguaia nas mãos e indiscutível apoio popular.
Por mera lógica, a preocupação com Irajá (a mais provável do descarrego de ontem), com menos de ano de novo mandato (e a três da nova eleição estadual) eleva artificialmente a potência do senador do PSD. No popular: a base de Wanderlei mordeu a isca.
A tribuna seria, por enquanto, a Irajá, o único alto-falante de sua campanha antecipada ao governo. O contraponto a potencializa. Tem agora a bancada governista a impulsioná-la, provocando a atenção da população não só para o Senador, mas às críticas amplificadas que, como é notório, são um direito do parlamentar. Irajá peca porque as faz na tribuna do Senado.
Ainda que os discursos da base governista sinalizassem uma vacina contra novas investidas do parlamentar, a reação não deixa de sugerir que a base do governo tivesse preocupação com possibilidades transcendentais, desconhecidas do público.
Ademais, só se vacina quando se tem medo de que alguma coisa contamine. É esse o recado dos parlamentares da base aliada ontem no PPA na Capital.
Mesmo que Wanderlei tenha dado segurança jurídica e político-institucional após o afastmento do governo anterior, reeleito em primeiro turno com menos de ano no cargo e até agora os problemas na administração pública se resumam em questões pontuais.
Ao invés de realçarem os ganhos do governo que é, hoje, do ponto de vista fiscal, seguramente o melhor que já passou pelo Palácio Araguaia, gastando menos do que arrecada e ajustado dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal.
E com disponibilidades de caixa e pagamento de servidores e fornecedores em dia.


