O ex-deputado Célio Moura (PT) pode ser beneficiado com parecer favorável (da semana passada) do procurador geral da República, Augusto Aras, a pedido do PSB de concessão de medida liminar para alterar a distribuição de vagas das sobras eleitorais.
Caso seja favorecido, Célio impõe uma situação difícil ao governo que, até aqui, tem feito uso do ex-deputado estadual Zé Roberto (presidente regional do PT) para interlocução e distribuição de cargos por apoio político no governo Lula. Célio, assim, caso o STF acate o parecer da PGR, assumiria a liderança política do PT no Estado. E reduzindo o ativo da bancada bolsonarista na Câmara dos Deputados e o protagonismo do governador Wanderlei Barbosa na unanimidade dos votos da Câmara Baixa.
Situação que interferiria nas movimentações atuais onde se nota uma disputa entre dois sem mandato: Célio e Zé Roberto, pela hegemonia partidária petista nos cargos.
O pedido do PSB – que teve parecer favorável da PGR - é que todos os partidos sejam incluídos nas sobras independente do quociente eleitoral.
Apenas 28 dos 513 deputados se elegeram no ano passado com seus próprios votos ou atingiram o quociente eleitoral. Os 485 restantes foram eleitos com votos dos puxadores de seus partidos ou de suas federações.
O sistema provocou aberrações como a votação no Estado de Célio Moura, que obteve 36 mil e 186 votos mas perdeu a vaga para Lázaro Botelho (PL) eleito pelas sobras com apenas 13 mil e 668 votos. Lázaro, por sinal, se o STF acatar o parecer da PGR na ADI 7263 é o parlamentar que dará lugar ao petista.
No Estado, nenhum dos deputados federais eleitos alcançou o quociente eleitoral na disputa pelo cargo. Ou seja, não se elegeram por seus próprios votos. Dependeram ou dos votos dos partidos e federações ou das sobras (média).
Precisaram dos votos do partido (legenda) os deputados Antônio Andrade, Ricardo Ayres, Alexandre Guimarães e Carlos Gaguim. Das sobras se aproveitaram Filipe Martins (PL), Eli Borges (PL) e Lázaro Botelho.


