Sábado, 24 de Out de 2026

Paradoxos de Estado. Meu artigo semanal desta quarta-feira no Jornal do Tocantins

26/01/2022 1072 visualizações

Assemelharia-se à imagem de um torpor coletivo, não fora sua ocorrência consequência de omissões afirmativas individuais, a aceitação passiva da população do conjunto de dados sociais, econômicos, sanitários mantidos por seus representantes no Estado.

O crescimento de 17% da arrecadação federal anunciado ontem pela Receita Federal poucos dias após o anúncio da elevação da pobreza no país expõe paradoxos só contornáveis com muita boa vontade política e isto, com efeito, se mostra, nas atuais circunstâncias, dependente do imponderável tal se revelam os números.

No Estado do Tocantins, a União arrecadou de tributos no ano passado o equivalente a R$ 3,8 bilhões (crescimento menor do que o nacional) mas superior em 5,5% aos R$ 3,6 bilhões de 2020.

Adicionando a essa conta aí a arrecadação de tributos estaduais em 2021 (R$ 5,4 bilhões) – crescimento de 21,9% em relação a 2020, maior que os 17% da União – a conta da população (só de tributos estaduais e federais) no Tocantins eleva-se a R$ 9,1 bilhões no ano.

Soma estatística: cada cidadão, de mamando a caducando, pagou no Tocantins R$ 470,00 de contribuição ao poder público estadual e federal a cada 30 dias. E ainda tem os tributos municipais.

Esse cidadão aí de cima viu sua vida piorar na proporção inversa do desempenho tributário impulsionado, em larga medida, pelos reajustes inflacionários. Equação que reforça, sem muita margem de dúvida, a parceria tácita firmada entre Estado e os empresários verificada nas políticas econômicas não só de hoje.

 

Leia mais: https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/opiniao/tend%C3%AAncias-e-ideias-1.1694943/paradoxos-de-estado-1.2392674

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