O cachê de R$ 630 mil que o governo confirma pagará a Wesley Safadão na quinta-feira (com estrutura, hotel e deslocamento podendo elevar-se a R$ 800 mil) – com despesas rateadas entre emendas de sete parlamentares – é emblemático dos referenciais do poder publico (Legislativo e Executivo) nos dias atuais.
Primeiro porque a “balada” oficial, pretextando integrar (e divulgar) a programação da Feira Agrotecnológica (Agrotins), terá o “pizeiro” a cerca de 30km do local de exposições, em tradicional “point” dos baladeiros (sede do Sindicato Rural) que ali veem o dia clarear com eventos do gênero semanalmente.
Claro está que os baladeiros não gastarão combustível até o parque para depois “comemorar” a feira na beira da TO. Nem os técnicos e expositores deixarão o parque no meio da semana para amanhecerem o dia safadões. E depois retomarem suas atividades no batente na sexta para encerrá-las no sábado.
Por outro lado, os R$ 630 mil de cachês de emendas parlamentares seriam suficientes para “alimentar” por 30 dias cerca de 6 mil e 300 (1,68%) das 376 mil e 445 pessoas que, conforme o Cadastro Único do governo federal, sobrevivem na extrema pobreza no Estado com renda mensal per capita de R$ 100,00.
O equivalente ao valor médio do ingresso de um show privado do Safadão por algumas horas de safadezas consentidas, como os R$ 630 mil do cachê pagos por deputados mas retirados evidentemente da mesa daqueles 376 mil famintos. Esse pessoal parece ter perdido referenciais e limites. Ou a vergonha mesmo.
Mas atenção: Wesley Safadão não tem nada com isto


