Não só em Palmas uma espécie de hierarquia de valorizações emergiu insuflada em resistência às restrições determinadas pelo poder público para reduzir a contaminação do vírus. Não raro justificada por princípios fundados ora no hedonismo, ora no utilitarismo.
O vírus, sabe-se, não se importa se o hospedeiro circula por necessidade ou prazer. Ao seu alcance, já terá oportunidade de aproveitar-se da vítima, fazendo dela, por consequência, correia de transmissão a outro prato cheio.
Dos 895 novos contaminados pelo Covid-19 registrados ontem, a Capital é responsável por 150 (17%). Praticamente o dobro de Araguaína. Os contaminados na cidade aproximam-se de 40 mil infectados. Nos óbitos, a cidade já registra 492 mortes contra 377 de Araguaína, a segunda em densidade populacional.
O panorama, assim, não indicaria redução de medidas restritivas. Daí não fazer sentido (a não ser aos interessados com implicações em não interessados) a abertura de bares e restaurantes no horário de 11 às 22 horas estabelecendo como régua o funcionamento do comércio e academias.
Se nas academias e comércio haveria mais espaço e a obrigatoriedade das máscaras, nos bares e restaurantes o usuário não as utilizaria afinal a comida e a bebida tem que entrar por um buraco. E este não pode ser a saída do aparelho digestivo. Uma das principas formas de transmissão são justamente as gotículas da salíva na fala, no espirro, na tosse e no catarro.
Tem outro motivo para refutar o relaxamento das 4 horas permitidas a prefeitura. As pessoas, regra geral, não necessitariam de mais que dois pares de horas para suas refeições. Da mesma forma que jantares em restaurantes são mais entretenimento que necessidade. Nos bares, nem se fale.
É esperar o que pensam os doutos juízes que tem oscilado entre o negacionismo e a ciência, tanto jurídica quanto médica.


