O Brasil 247 publicou na noite de ontem no blog do jornalista Joaquim de Carvalho (ex-subeditor de Veja, ex-repórter da Globo/prêmio Esso e Imprensa de Jornalismo) - https://www.brasil247.com/blog/tocantins-o-credito-de-carbono-e-o-contrato-obscuro-com-uma-empresa-estrangeira-porta-aberta-para-a-corrupcao - que aponta as lacunas no acordo de sequestro de carbono firmado entre o governo do Tocantins e a Mercuria Energy Group. O artigo é este aí e é aconselhável que os leitores e políticos do Estado o leiam.
O texto ilumina, agora em nível nacional, os vazios de informação sobre o contrato de R$ 2,5 bilhões até 2030. O governo anunciou que já recebeu R$ 14 milhões e terá mais R$ 100 milhões até o final do ano. Tudo uma festa.
Mas não tem nada no orçamento e não informa onde esses R$ 14 milhões foram contabilizados. Na Fazenda e Planejamento não há dados da conta contábil à disposição, como já havia antecipado esse Política & Acessórios na semana passada.
O Brasil 247 aponta o comércio do carbono jurisdicionado no Tocantins como porta aberta para corrupção. E cita o histórico da Mercúria que já foi multada em 200 milhões de dólares por não manter o estoques estratégicos de petróleo, na Polônica. Sim, o grupo Mercuria lucra com combustíveis fósseis na Europa.
O jornalista Joaquim Cruz (do 247) ouviu um engenheiro especialista. Reproduzo trecho do artigo sobre a avaliação do técnico.
“O engenheiro eletricista Paulo Corazzi, especialista em energia renovável, analisou o acordo, através da parte de documentos que se tornou pública, e não viu razões para comemorar. Pelo contrário. Ele disse que a modalidade de crédito de carbono gerado não garante a redução do gás de efeito estufa na atmosfera, já que prevê compensação e não sequestro de carbono.
“Os países ricos compram crédito de carbono aqui para poder poluir lá. Qual a vantagem? Afinal, o planeta é o mesmo”, disse. Para o Brasil, sobretudo o Tocantins, haverá desvantagem econômica e perda de soberania.
“Vou dar um exemplo: com esse contrato, entregaremos para uma empresa estrangeira o direito de fiscalizar nosso território. Isso viola nossa soberania”, observou. “


