Produziu o acaso (ou o determinismo histórico) que fosse registrado na noite de ontem o primeiro óbito de Covid-19 no Estado. Francisca Romana, de 47 anos e hipertensa. Uma servidora da Saúde de Palmas.
Na noite de ontem, o boletim da Secretaria Estadual de Saúde apontava também aumento do número de casos confirmados no Estado: saltara de 19 casos há uma semana (7 de abril) para 27 casos (14 de abril).
Uma elevação de 30% dos casos em sete dias. Mesmo índice (30%) registrado em Palmas: saiu de 13 (dia 7 de abril) para 17 casos ontem.
Não há, com efeito, a priori, relação imediata de causalidade com o afrouxamento das regras de prevenção recomendado pelo governo aos prefeitos por decreto um dia antes (na segunda).
Contrário senso pode ser plausível: poderia ser pior não fosse a recomendação do Decreto 6072 (21 de março) que teve parte revogada na segunda (Decreto 6083/13 de abril).
Mas pode-se projetar, de forma mediata, o que estaria por vir, aceito o decreto de afrouxamento nos termos em que o coloca o Palácio Araguaia, se aceito pelos executivos municipais.
O governo passou o dia ontem tentando explicar-se de forma atabalhoada. Do ponto de vista da lógica, impossível, pelas premissas empregadas que levariam a conclusões diametralmente opostas. Da competência legal para fazê-lo, pior ainda.
Informou que baseara-se nos Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde que apontam justamente o contrário: avanço da Covid-19 no país. Inclusive no Tocantins. Confundiu escala (poucos casos no Estado) com os índices registrados e suas projeções científicas.
Não é porque não havia sido registrado óbito no Estado até ontem que estivesse controlando um vírus. Pandemia é pandemia justamente porque não respeita linhas territoriais.
E a expansão de contaminados se dá por ondas exponenciais até tornar-se comunitária como já se investiga na Capital. Se confirmada em Palmas, não é implausível que tenha se espalhado, também comunitariamente, pelo Estado, como se dá em São Paulo. Escala numérica é só uma questão de Fator, o que não refuta a verdade dos números. Antes os validam.
O governo e o comitê da crise justificam seu fundamento no boletim epidemiológico do dia 8 de abril (já há outro do dia 11 de abril). De 8 de abril (15 mil casos) para os 25.263 registrados no país ontem é um incremento de 66% no número de casos!!!! Em seis dias!!!!!
Os óbitos no Brasil passaram de 800 (8 de abril) para 1.532 ontem. Ou seja: 732 mortes em uma semana. Um crescimento de 91% em seis dias no país!!!Ou seja, número de mortes em índices superiores (37% acima) do crescimento do número de casos. Uma hora, mantida a inércia da aceleração, essas retas e curvas podem se encontrar. Lógica matemática.
Todos os governos, como é lógico, são propensos ao erro. Mas seus enganos são mais perigosos que os dos cidadãos porque atinge a todos. Criam o malefício positivo e levam as pessoas a se conformarem com eles, ajustando seus interesses e comportamentos.
É só observar o otimismo dos empresários e de setores da população do Estado com o "habeas corpus" que o governo amplificou ontem. Ainda que não seja dele a competência para o liberou geral. E sim das prefeituras municipais. Não à toa o tratou como recomendação.


