Não deixa de ser intrigante ver o governador do Estado acompanhando o presidente da República na prática de ilegalidades em aglomerações e sem o uso de máscaras como ocorreu na manhã desta quarta-feira na escala de Jair Bolsonaro na Capital.
Na Capital e no Estado o uso de máscaras é obrigatório sujeitando o infrator a multas que vão até R$ 20 mil e penas de detenção. Não faz uma semana, decreto do governador Mauro Carlesse renovou a determinação do uso de máscaras em todo o Estado.
Como irá cobrar seu cumprimento agora é explicação que por certo não terá. Como é notório, as palavras movem, mas os exemplos arrastam.
Num Estado onde apenas 13% da população foram imunizados e com fronteira aberta com o Pará (um dos maiores índices de contaminação) e o Maranhão onde hoje se divulga ter registrado o primeiro caso da nova cepa indiana do Covid-19 no Brasil.
No segundo dia de depoimento na CPI da Pandemia de um ex-ministro da Saúde do governo federal que somou no seu período cerca de 200 vítimas fatais, muitas por falta de oxigênio e outras pelo incentivo à cloroquina e negacionismo das regras sanitárias da OMS.
O Governador perdeu a oportunidade de demonstrar coerência e respeito às suas próprias medidas. O custo político da bajulação ao Presidente só o tempo o dirá. Mas o passivo institucional, este é incalculável.
Do ponto de vista da saúde pública, uma irresponsabilidade justamente daqueles obrigados a combater a contaminação do vírus que já matou quase 3 mil pessoas no Estado (aproximando-se de 500 óbitos na Capital). E que dias atrás não tinha leitos disponíveis e kit-entubação.
Não sem razão, zumbis jovens e idosos aglomeraram-se, centenas deles, sem máscara e sem distanciamento para a claque ao presidente no aeroporto da cidade.
Zumbis, não mais que zumbis. A que se aliou o Governador que decretou esta semana justamente o contrário do que fazia hoje. Algo que até o Ministério da Saúde já deixou de lado com a atual recomentação expressa do Ministro e farta campanha preventiva nacional pelo uso de máscaras.
Vai entender a lógica dessa política,.. com vidas.


