A detenção de "baladeiros" na Capital no sábado (uma festa que se informa com cerca de 140 pessoas) diz muito das razões da alta taxa de contaminação da Covid-19 na cidade. Uma cidade com crescimento exponencial de contaminados, em duas semanas 2.871 novos casos. Na semana passada foram na média de 184 casos/dia contra os 163 casos/dia da semana anterior. Em ascensão. E provoca uma reflexão: não dependeria só do poder público o combate ao vírus. É como se o cachorro corresse atrás do rabo.
Ou seja: as mesmas pessoas que atiram contra prefeitura e governo, cobrando atendimento, abraçam o corona que ontem alcançou o macabro número de cem mil mortos no país (cinco centenas deles no Tocantins). Irresponsáveis que deveriam receber do Ministério Público o mesmo tratamento que o parquet dá aos gestores públicos.
Por aqui, enquanto o número de casos cresceu esta semana 17% em relação à semana passada (uma média de 682 novos casos dia de 24 a 31 de julho, contra uma média de 799/dia, de 1º a 8 de agosto), a desinformação segue elevando o grau dos problemas.
E, convenhamos, com parcela de responsabilidade disso podendo ser creditada ao próprio poder público: governo, prefeitura e Ministério Público, zeloso não só do seu trabalho, mas para mostrá-lo ao público. E aí, não raro, mais agrava que ameniza a situação.
O governo, como aponto aqui há mais de dois meses, tem se pautado de forma reativa no corona. A Saúde segue atrás do problema e não de antecipá-los. Não há sincronização das ações do governo do Estado com a prefeitura. Reproduz-se, no Estado, com efeito, idêntica relação (e conduta) do governo federal com as unidades federativas.
Mas há situações (criadas pelo MPE) que terminam fazendo parte do problema e não da solução. É o caso do que vai nas redes acusando o governo de "estocar" respiradores quando pessoas vão a óbito. As explicações (plausíveis) do governo não tiveram a mesma intensidade de abordagem pelo MPE. Sequer vieram a público como a denúncia. Gasolina no fogo quando a prudência (e a própria função ministerial) requereria outra conduta.
Ou seja: o MPE pediu explicações, o governo as deu, mas amplificou apenas a denúncia, deixando no ar mais insegurança junto à população. O "escândalo" propagado nas redes este final de semana, não seria verdadeiramente um escândalo. Ora, se o MPE não tivesse ficado satisfeito com a resposta, ação imediata seria a provocação da Justiça. Como não o fez, entende-se que as explicações do governo tivessem sido satisfatórias. Viu-se, entretanto, a amplificação de uma denúncia.
No Palácio a avaliação é que as ações do MPE não seriam somente técnicas e, no caso dos respiradores, haveria boa dose de má fé por não darem às explicações do governo a mesma amplificação da denúncia.
O governo explica que dos cem respiradores 66 foram instalados, outros 10 são de Gurupi (vão ser instaladas novas UTIs) e mais 10 estão destinados a Araguaína que ainda não retirou os aparelhos na Saúde apesar da prefeitura ter sido oficiada.
O Palácio alega, com boa dose de razão, a necessidade de reserva técnica de 15% a 20% para substituir aparelhos com defeito (eles quebrariam muito, são feitos no Brasil). Isto porque nos pacientes entubados, se os seus respiradores apresentarem problemas, podem ir a óbito sem o aparelho. Dai a necessidade da reserva, uma recomendação não só estadual.
Junte-se a isto, conforme o governo, a falta de profissionais especializados para manusear os aparelhos. "Não tem profissional no mercado com capacidade para fazer entubação, não estamos encontrando para contratar", como apurou o blog neste domingo.
O Governo já abriu 325 leitos para Covid e irá abrir mais 80 esta semana. Serão mais 20 UTIs, sendo 10 em Palmas e 10 em Araguaína. E até o final o mês, mais 10 UTIs Covid em Gurupi.


