O governador Wanderlei Barbosa discurso esta semana que não vai ficar atendendo as pessoas que ficam querendo trancá-lo no gabinete. Mais: que não vai, grosso modo, resumir seu governo só atendendo filas de pessoas no Palácio.
Não é a primeira expressão do gênero exposta por Wanderlei em menos de dois meses de governador eleito. E sem que fosse provocado. A gênese do desabafo pode estar, portanto, no seu próprio quadro de auxiliares.
Afinal no Estado não há oposição ao Governador e os deputados, se Wanderlei encaminhar-lhes um projeto alterando a lei da gravidade, não teria maiores problemas para vê-lo aprovado.
Como não se concebe reação sem uma ação que a anteceda (e dê-lhe sentido), é possível ponderar que o Governador e seus auxiliares estariam enfrentando problemas.
E eles residiriam em equalizar (e compatibilizar) a agenda política do Chefe do Executivo com a agenda administrativa de governo.
Isto porque, para a classe política, é mais producente um governador extremamente carismático e popular nas ruas, como defende Wanderlei, do que assinando papéis detrás de uma escrivaninha. O desempenho do governo, entretanto, atesta a qualidade de eventual crítica propositiva dos assessores.
Prevalecendo a tese de Wanderlei, se teria, como consequência lógica, as impressões digitais da reforma administrativa a conta-gotas, quase dois meses após a posse, sugestiva de planejamento inadequado como denuncia a demissão e readmissão de auxiliares em intervalos de horas.
A queixa de Wanderlei, por outro lado, é, certo modo, legítima. Como também o são as ponderações de auxiliares, supõe-se, sobre encontrar um meio termo entre significante e significado, o excesso e a falta.
Wanderlei, com efeito, faz, do ponto de vista fiscal, o mais ajustado governo em três décadas. E, em um ano e meio administrando orçamento de R$ 11 bilhões (R$15 bilhões de receitas em 2022) não foi acusado de desvios no seu governo. Não tem responsabilidade (vice não é ordenador de desembolso e nem governa) sobre as denúncias contra o seu antecessor.
Se o Chefe do Executivo, entretanto, priorizar as ruas à administração dos recursos humanos e financeiros, pode, num dado limite, perder parte do ativo que angariou até aqui.
Tanto pelo atraso na tomada de decisões como na própria distância que pode se formar entre o gestor e o gestado.
Ainda que aumente sua aceitação popular, isto só se sustentaria com um governo eficaz, que não é resultado, certamente, de menosprezo a questões burocráticas que não são majestáticas como sugerem parecer as críticas.


