Há um movimento de aliados do governador Wanderlei Barbosa (e também nos seus adversários, por lógica) no sentido de botar pressão para um racha com os senadores Kátia Abreu e Irajá Abreu. E Wanderlei parece inclinado a aceitá-la.
Pelos fatos correntes dos últimos dias (ao alcance daqueles que lhes são mais próximos) nota-se, de ambos os lados, incompreensão das circunstâncias, acrescendo valor a minudências em desfavor de um projeto de Estado que transcendesse idiossincrasias individuais.
Wanderlei, Kátia e Irajá não são três estranhos que só agora se aproximaram. Seria, portanto, deduzível, que tivessem conhecimento de possibilidades e probabilidades de entendimento ou delas a impossibilidade. No que por si somente já jogaria luz num quarto elemento na relação.
Pragmaticamente ambos perdem com o especulado racha perceptível ontem na Fieto (no almoço) e nas comemorações dos 50 anos do Sebrae, cujo diretor no Estado é Moisés Gomes, esposo da senadora.
Na Fieto (com a participação de Wanderlei) o tratamento com Kátia já não seria o mesmo e à noite no Sebrae (reunindo a nata da política e do empresário do Estado) Wanderlei optou por uma agenda no interior, com Kátia sendo a maior autoridade do evento junto com o senador Irajá Abreu.
A dissensão faz estrago nos dois lados com tendência de maior vazão no governador. Wanderlei pode perder o apoio de mais de 50 prefeitos do PP e PSD e o acesso ao fundo eleitoral e R$ 338 milhões (PP) e R$ 334 milhões (PSD).
E a musculatura eleitoral de Kátia e Irajá que não são nada desprezíveis. Em troca de apoio de deputados que, se estão com os bolsos cheios, esvaziaram a paciência do eleitor com seus desempenhos como apêndice palaciano
E Kátia teria que mudar os planos: ou formar chapa com o PT e PSB (Lula, Paulo Mourão, Wanderlei Luxemburgo, Carlos Amastha) ou apoiar uma projetada (há muito) candidatura de Irajá Abreu ao governo. Em Minas, por exemplo, o PT apóia a candidatura do PSD (Kalil) ao governo. Outros exemplos existem aos montes no país: Jader Barbalho/Helder Barbalho, Renam Calheiros/Renan Filho e por aí vai.
Já Wanderlei teria que buscar a chapa majoritária no grupo bolsonarista que já estava rachado com três pré-candidaturas: Wanderlei, Dimas e Osires. Se rachar com Kátia, terá um quarto concorrente na própria base.
Política sem reflexão não é fácil.


