Os cantores Leonardo e Evoney Fernandes são as atrações na Praça dos Girassóis na próxima quinta-feira na abertura da Agrotins/23.
No Google, tem cachês que giram entre R$ 50 mil (Evoney) e R$ 500 mil (Leonardo). Não se sabe ainda o quanto o governo estaria pagando.
A feira (conforme a Seagro) terá um gasto público de cerca de R$ 5 milhões e outros R$ 20 milhões da iniciativa privada.
Os shows, restariam poucas dúvidas, tem o papel de circo para um exército de famélicos em que metade da população do Estado situa-se na pobreza e extrema pobreza.
Ou seja: não são os principais interessados na Agrotins pela própria desproporção entre o ganho dos grandes empresários e os pequenos agricultores.
Agricultores que veem, a cada ano, reduzida a importância de apresentação de novas técnicas de plantio em favor do comércio de máquinas, equipamentos e implementos. Ainda que se considere sua importância, uma grande revendedora de tratores, camionetes e colheitadeiras.
Uma mudança de finalidades e prioridades que não foi, diga-se, criada por este governo.
Na dificuldade para eliminar a escandalosa concentração de renda, as atrações funcionariam como anestésicos que reduziriam o impacto dos R$ 2,5 bilhões de negócios bancários/comerciais projetados para a feira. O equivalente a 6% do PIB anual em apenas cinco dias.
Obviamente que, realizados na Praça dos Poderes, numa noite de quinta em que a grande maioria terá que trabalhar no dia seguinte (sexta) e a mais de 30 km da Feira, o gasto pouco acrescentará à sua finalidade técnica. Sobressaindo, em grande monta, o interesse político e privado..
Afinal, a população que necessita que o poder público banque show de Leonardo (700 mil com renda média per capita de até R$ 200 mensais) não tem grana no bolso para comprar camionetes de R$ 150 mil ou colheitadeiras de R$ 2 milhões.
A situação contrasta até com o projeto de divulgação da feira por parte do governo, priorizando o público nacional, deixando de lado os veículos regionais que, por lógica, atendem, mais próximo, a população do Estado do que aos negócios do agro.
Um equívoco, caso tencione apoio da população. Isto porque os empresários de máquinas, equipamentos e implementos não necessitam ser informados de feiras do gênero. Ainda mais a maior feira agrotecnológica do Norte do país. Buscam-nas todos os dias porque é o seu negócio.
E não é assim porque o governo a divulga, mas porque vivem dos seus negócios. Para o governo, é a população que necessita ser convencida sobre a feira que, indubitavelmente, beneficia apenas os grandes conglomerados, como é notório na concentração de renda no Tocantins.
Diferente da Agrishow (em São Paulo na semana passada) cujas atrações eram acessadas (eventos técnicos e artísticos) com ingressos pagos (a Agrishow movimentou R$ 13 bilhões), no Estado o acesso é livre ao público e comerciantes.


