Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Palácio e metade dos congressistas definem-se por reunir-se mensalmente para discutir prioridades do Estado. Isto a pouco mais de um ano das eleições!!! Bom, se há o possível, tudo pode sê-lo!!!

luizarmandocosta 06/05/2019 827 visualizações

É merecedora de apoio a decisão do Palácio Araguaia e de representantes da bancada federal, tomada nesta segunda, de reunir-se mensalmente para se discutir as prioridades do Estado. Impõe um grau de responsabilidade (e compromisso) – pelo menos político - na administração dos recursos públicos estaduais desde que as partes cumpram o que estão prometendo.

No que, convenhamos, o histórico e as circunstâncias em que se dá essa espécie de armistício não sustentam muito otimismo no encontro de prioridades e sua compatibilização com projetos políticos legítimos, fundados nas próprias emendas parlamentares. E olha que a decisão foi tomada com apenas metade da bancada (quatro).

É um movimento do Palácio, com efeito, que sucede aquela crítica de Mauro Carlesse sobre a falta de interlocução administrativa entre a prefeita da Capital, Cínthia Ribeiro e o governo. É, aparentemente, uma preocupação legítima, verdadeira e defensável do Governador com a situação que, evidentemente, ele não criou, ainda que mantenha o método que a gerou.

Politicamente, entretanto, o grupo político de Mauro Carlesse não dá, como é público, brecha para um governo de coalizão partidária como a que a decisão de hoje poderia fazer emergir. No Estado, prefere dar empregos a deputados que encampar projetos partidários na política de governo.

Assim, o esforço pensado hoje pode impor, em médio prazo, aos parlamentares federais, não é difícil prever-se, o papel de meros operários na construção de ativos para os aliados do Governador nas eleições de 2020 quando os agora aliados terão objetivos conflitantes, como conflitantes serão os interesses. As eleições estão logo alí na esquina.

Ainda que demonstrem, a princípio, altruísmos em favor do Estado, o cartesiano político nos próximos meses fará emergir individualismos eleitorais. Sem prejuízo do raciocínio de que as prioridades do Estado para este ano já foram definidas pelos congressistas (nas emendas individuais e de bancada no OGU) e no orçamento de 2019 (Legislativo e Executivo estaduais). Discute-se, agora, o PPA que ainda vai percorrer todo o Estado. Uma discussão, em tese, com a população. O OGU e LOA de 2020 daqui a três meses darão uma prévia do que estará por vir e a base de sustentação dessa aliança em prol do Estado.

De forma que quando se lê sobre discutir prioridades, não se está falando de orçamentos. Intuo que dos empréstimos que o governo quer fazer e da administração de empréstimos já em execução como do Bird, Banco Mundial, BNDES e Caixa. Ou de verbas de convênios nos Ministérios que, por lógica, integram o orçamento administrado pelo Palácio. Ainda que necessários de suplementação orçamentária.

É um armistício, como se nota, com prazo de validade. Enquanto a situação do Estado tão cedo, da forma como se o administra, terá solução de continuidade com algum nível de equilíbrio fiscal, financeiro e administrativo. Como é bem prova a aliança de hoje fundada mais no voluntarismo de alguns parlamentares e do governador, sem qualquer planejamento anterior que não a necessidade política, sem qualquer informação de mudança no próprio governo, levantando o raciocínio de que os problemas poderiam ter sido solucionados ou minimizados se tivesse sido tomada uma decisão dessas antes. E aí também os parlamentares teriam sua parcela de culpa na situação do Estado. Sendo que agora estariam dispostos a repará-la.

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