Sábado, 24 de Out de 2026

Palácio Araguaia e a magia do exercício do poder político. Corrosão dos grupos familiares políticos tradicionais e o fascínio que Wanderlei exerce nas cidades

19/02/2023 762 visualizações

Como perfeitamente previsível, pontuações de ontem sobre o desabafo do governador Wanderlei Barbosa causaram reações diversas.  Alguns viram-nas como procedentes e propositivas. Já outros, observaram nas colocações plantações da oposição ao governo.

Wanderlei tem unanimidade no Legislativo estadual e dos onze congressistas, dez são indiscutivelmente aliados do governador.  O Chefe do Executivo conseguiu um grupo coeso sem exercer força. Oposição teria que buscar, portanto, maior substância, tanto numérica quanto de massa crítica para fazer valer a argumentação da tese conspiratória.

Intuo que sua musculatura (do governador) derive da corrosão dos tradicionais grupos políticos que comandaram o Estado (o emedebismo e siqueirismo) que, apesar dos orçamentos milionários (exportaçoes de R$ 16  bilhões e PIB de R$ 40 bilhões), levaram-no a registrar hoje 700 mil pessoas penduradas na pobreza e extrema pobreza. Situação que tenderia a colocar a oposição ao governo - grupos de famílias politicas tradicionais - na defensiva e não o contrário.

Por alguma razão, parcela da população parece enxergar em Wanderlei uma força motora diferente. Com feito, ainda que tenha ganhado visibillidade (e mandatos)  no siqueirismo, o governador tem origem na sua oposiçao anterior a criação do Estado.

No círculo próximo a Wanderlei, paradoxalmente e em sentido contrário, ainda seguem naturalmente auxiliares que persistem em conceder ao governador Wanderlei as mesmas réguas e liberdades dadas ao deputado Wanderlei. E aí terminam cavoucando um Wanderlei que Wanderlei deveria guardar.

Anoto que isto se dá em resistência ao próprio crescimento de Wanderlei que, frise-se, tem se esforçado para desligar-se da política intuitiva e sensorial – quando não mercurial – que praticou desde o primeiro mandato de vereador.  Isto não é questão de opinião, mas de fato.

Wanderlei revelou-se no cargo um governador pragmático que colocou as pessoas certas nos cargos e os mantem, impondo prioridades administrativas.

Igual pragmatismo que exerceu no cargo de vice, mantendo a liturgia do cargo, quando era isolado (quando não desprezado) pelo governador que não teria sido eleito sem a sua articulação política que agora se tem mais visível.

E isto, caprichosamente, como estratégia pensada, o livrou dos vícios atribuídos a Mauro Carlesse na administração, abrindo possibilidade de Wanderlei demonstrar as diferenças entre os dois que já eram acentuadas até mesmo por origens distintas.

No governo, apesar de equívocos pontuais, gasta menos do arrecada, busca equilíbrio fiscal e não torra dinheiro público em projetos duvidosos, ações que não são, em absoluto, reveladoras de personalidade que aja mais pelos afetos que pela razão.

O debate se dá é quando verbaliza priorizar o contato com o povo a despachos de gabinete quando um não elimina o outro. Antes se completam. Aliás, colocações extremamente desnecessárias porque também aí Wanderlei tem superado seus antecessores.

O Governador, não se discute, é carismático e, talvez até por suas origens, exerça um fascínio no povão pouco notado nas três décadas e meia de Estado. E mesmo antes: aponte aí um político anterior à Constituinte ou depois dela que exerça o mesmo fascínio e espontaneidade da população!!

Siqueira Campos (que era dado a atirar celulares em secretários em reuniões palacianas) aproximou-se disto mas com outras armas de poder: pelo medo. Mais educado e democrata que Siqueira, Moisés Avelino no início da década de 90, como governador, podia andar nas ruas sem ser interpelado. Siqueira juntava gente nas calçadas mesmo vociferando contra quem dele discordava.

Tática que mesmo hoje tem seus resultados como comprova sua força ainda determinante nas eleições da  presidência do TCE (onde ainda manda quem deve comandar o órgão) e tentativas de pressão no TJ e Legislativo, como foi o caso da posse dos deputados este ano.

A receptividade política a Wanderlei tem sido até aqui, mais espontânea e despojada, que ele parece querer retribuir e ampliar indo aos municípios a ponto do expediente ser confrontado com sua agenda administrativa. Não só pela oposição, mas por servidores também interessados no êxito de seu governo.

Ou seja, um  mínimo de organização da agenda governamental e do gabinete, combinadas com um pouco de previsibilidade de despachos não fariam mal algum ao Governador nem ao político no seu projeto daqui a quatro anos quando estarão em disputa duas vagas para o Senado e Wanderlei não poderá disputar outra reeleição.

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