O Ato1664/23, do Executivo estadual publicado no DO de ontem à noite exonerando, a pedido, o ex-secretário de Saúde Afonso Piva, dá dignidade ao funcionário que poderá se defender das acusações que lhe são feitas.
Cuidou o Executivo de distanciar, nas páginas do Diário Oficial, o ato de nomeação do novo secretário de Saúde (que veio primeiro) daquele que exonerava o anterior. Minúcias que não se dão por acaso.
Afonso Piva, assim,poderá se defender sem a exposição pública sua e da família. Investigações que, no senso comum, terminam condenando antecipadamente Piva, ainda que não tenha se defendido.
Processualmente, Afonso Piva é apenas investigado em um inquérito. Não foi sequer denunciado. Mas politicamente já teria sido condenado, no que condenava também, por gravidade, o governo.
Piva foi inteligente e seguiu a orientação política do Palácio Araguaia. E Wanderlei Barbosa distanciou-se, por enquanto, do abacaxi. Em uma semana retirou o “bode” da sala. Diferente de governos anteriores.
Recupero que o último governo Siqueira Campos/Sandoval Cardoso, secretários da Saúde ficaram sangrando até serem presos (dois foram detidos). E, uma a uma, tem derrubado na mesma Justiça as acusações que tiveram contra si e que os levaram à detenção.
Um governo que chegou a ter uma dezena de secretários de Saúde em menos de quatro anos.
Alguém aí ainda se lembra do escândalo dos R$ 260 milhões do Pro-Saúde? E dos médicos do HGP no governo Marcelo Miranda? E a Oscip Brasil? E as contratações de leitos? E a aquisição de máscaras da Covid?
No governo Mauro Carlesse a Saúde teve o Renato Jaime e o Edgar Tollini. Ambos saíram desgastados dos seus cargos. Tollini, apesar de denúncias, foi mantido por Carlesse quase até o fim.
A Secretaria de Saúde do Estado tem para este ano um orçamento de R$ 2,117 bilhões. Um dos maiores orçamentos per capita do país.
E a Saúde pública tem especificidades que, nem sempre, se coadunam com normas técnicas burocráticas de administração.
É uma situação que vem de origem: lembro que o HGP ficou quase uma década com obras paralisadas, um esqueleto torrando dinheiro público, a sol e chuva, considerado uma obra fantasma, no início da década de 90, pela Controladoria Geral e Tribunal de Contas da União. Apesar da montanha de recursos aplicados nos governos Avelino e Siqueira. Recurso federal.
Mas o governo saiu-se bem do ponto de vista político no caso circunstancial de investigação contra Afonso Piva e empresários de pregão elaborado ainda no governo anterior.
Até aqui, não há respingos da investigação no gabinete do Governador que, diga-se, não é ordenador de desembolso. E, não custa lembrar, está há apenas 21 meses no cargo de governador. Ou seja, menos de dois anos.


