Sexta-feira, 23 de Out de 2026

Pacto entre Mauro Carlesse e Cínthia já provoca reações dos implicados. Só que da forma mais burra e primitiva possível

29/04/2021 919 visualizações

Duas semanas decorridas do acordo político firmado entre Mauro Carlesse e Cínthia Ribeiro, a reação dos implicados no polo passivo da aliança toma a pior forma política possível: de farsa.

O jornal goiano Opção atribui (na sua edição desta semana numa reportagem/análise sem assinatura) a um deputado federal do Estado (que não quis se identificar segundo o semanário) que haveria um “pacto secreto” entre o governador Mauro Carlesse e o senador Eduardo Gomes para “atropelar” Ronaldo Dimas.

E qual seria a tese (pelo deputado inconfidente): Gomes apoiaria Dimas (seria inclusive padrinho de Tiago Dimas). Só que Carlesse não aceitaria o ex-prefeito de Araguaína candidato do governo ao governo. Imagina. Dimas rachou a base da candidatura de Mauro Carlesse em 2018, decidindo apoiar Irajá Abreu contra Eduardo Gomes e César Hallun, da majoritária palaciana.

E aí, se Eduardo não deixar Dimas para sair candidato ao governo (numa aliança com o Palácio), o Governador já teria confidenciado que, aí sim, apoiaria a candidatura do vice-governador Wanderlei Barbosa.

Uma tese contraditória a outra declaração inconfidente do deputado analista à reportagem/análise do Opção: a de que Wanderlei seria o mentor administrativo do governo de Carlesse e que seria o verdadeiro operador "em termos técnicos" do governo.

Leviandade pura com Wanderlei e com os técnicos do governo. Como é público, o secretariado de Carlesse é mais técnico que político. E Wanderlei é mais político do que técnico. Uma obviedade.

No mérito, uma tese deficiente de sentido e de razão, desprovida de nexo causal até. Ronaldo Dimas, como se deduz, seria moeda de troca tanto para Gomes como para Wanderlei ser candidato.  Quando de fato tem, há muito, interlocução com Gomes e Laurez Moreira. E Wanderlei é o primeiro da linha de sucessão numa renúncia de Carlesse.

De imediato, frise-se, Wanderlei só não é candidato (pela legislação) se optar por não candidatar-se ou se Mauro Carlesse não deixar o governo para disputar o Senado, deixando de lado seu projeto político e a possibilidade de foro privilegiado. Quem sabe...

Não precisa muito esforço de raciocínio para se ter a síntese disto tudo: dividir – estabelecendo a dúvida interna - a base que o governo começa a entabular com a prefeita da Capital (maior colégio eleitoral e maior orçamento municipal do Estado) consequente da blindagem que Mauro Carlesse deu a Cínthia no processo indiscutível de tentativa de retirá-la do cargo.

E se Cínthia sai em busca de sustentação e o consegue em ex-adversários, até então inalcançáveis e com os quais não tinha interlocução, fragiliza o projeto de sua desidratação por aqueles a quem considerava aliados e que o grupo da prefeitura vê como o germe da tentativa de impeachment da chefe do Executivo municipal.

Uma prefeitura que nos próximos quatro anos terá uma movimentação de recursos da ordem de R$ 6 bilhões. Cerca de R$ 2 bilhões antes das eleições.

Nada mais eloquente e determinante de remetente, quase uma digital, a frase do deputado federal inconfidente que finaliza a reportagem: "A perseguição política no Tocantins parece coisa do tempo do cangaço. Até jornalistas temem o poder de Carlesse".

Se fora assim, por que então Mauro Carlesse estaria na dependência de Eduardo Gomes, já que mandaria em tudo, o deputado inconfidente não deu pistas. E nem o repórter/analista o perguntou.

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