Fiéis de igrejas evangélicas, tudo indica, não andam pastoreando seus pastores. O desabrido uso da fé pela política tem feito estragos. Não só nas religiões. O juiz eleitoral Lauro Maia mandou na noite de ontem (após representação do jurídico de Cínthia Ribeiro) um candidato a vereador do PSL (da candidata Vanda Monteiro), o pastor Tertuliano, retirar imediatamente de quatro grupos de zap que ele próprio administra informações falsas (fake-news) contra a prefeita Cínthia Ribeiro e secretários municipais. Grupos da qual também é integrante a candidata a prefeita Vanda Monteiro.

Era o pastor fazendo as vezes do "maledito" que deve dizer exorcizar nos seus cultos na frente dos fiéis. Uma decisão emblemática e educativa para que os demais candidatos reflitam sobre suas condutas ilegítimas.

Os grupos administrados pelo pastor Tertuliano amplificavam desde 4 de outubro falsas imagens de vídeos de policiais invadindo casas sugerindo ações contra Cínthia Ribeiro, o secretário Antônio Trabulsi, o dono da empresa de coleta de lixo, de uma empreiteira (RSN) e até do presidente da Fieto.

A trilha sonora e caracteres passavam a falsa informação de que haveria ações policiais contra caixa dois eleitoral na campanha de Cínthia. Uma fraude grotesca. E que deveria se combatida com xilindró. Nada diferente do que fez o mesmo partido (PSL) nas eleições de 2018 e que resultaram em CPI no Congresso e investigação em curso no Supremo Tribunal Federal. O vício querendo representar a virtude.

O tal pastor administraria quatro grupos mas as ações ilícitas (assim consideradas pela Justiça Eleitoral) foram compartilhadas em outros grupos de zap com pelo menos 700 participantes. Eram administrados pelo pastor o Grupo "Ação Parlamentar!VANDA", Grupo "pesquisa 1ª Vanda Monteiro", Grupo "ELEIÇÕES 2020", Grupo "Plano Diretor de Palmas".

Mas outros grupos de apoio a Vanda faziam parte da correia de transmissão das informações falsas. O povo tem voz, Plano Diretor de Palmas, A voz do Taquari, Tocantins é nosso! Eleições 2020 PSL, Aqui tem café no bule, #FRORACINTHIACAETANO#, O PAPO POLÍTICO.

O juiz eleitoral concedeu parcialmente a tutela. Reconheceu que a ação é ilícita e que o pastor Tertuliano administrava quatro dos grupos de fake-news. Determinou a retirada das mensagens (sob pena de multa diária de R$ 500) e mandou oficiar o WatSap e empresa de telefonia Claro para identificar responsáveis por linhas telefônicas. Retirou Vanda Monteiro porque não viu que ela administrasse algum dos grupos. Ainda que deles participasse e não tenha feito nada para impedi-los da prática criminosa.

E aí o paradoxo: a decisão do juiz termina fazendo com que a prática criminosa tivesse dado resultado aos que a praticaram, numa relação custo/benefício. O magistrado apontou:

"Há provas nos autos de que os representados já identificados Sebastião Tertuliano Filho (63-98114-6866) e Vanda Monteiro (63-98418-5739) participam dos grupos, entretanto não foi comprovado que postaram nenhuma das mensagen colacionadas aos autos."

Ora, os administradores de grupos de Zap são também responsáveis civil e criminalmente pelo que aceitam publicar, no caso de dolo, vontade de prejudicar. Divulgar um caixa dois eleitoral e ações policiais inexistentes contra um candidato adversário não é certamente ação deliberada com a finalidade de beneficiar.

Ademais, o juiz reconhece outra má conduta dos grupos. Nem a própria Justiça Eleitoral ficou de fora do fake-news. A turma ilustrou outra ação criminosa na mesma semana (de que Justiça teria condenado Cínthia por divulgar pesquisa eleitoral irregularmente, com imagens e símbolos da Justiça Eleitoral do Tocantins.

Escreveu o juiz eleitoral:

Além disso, a divulgação de montagem com formato de propaganda da Justiça Eleitoral, inclusive com a logo oficial, demonstra - por parte de seu criador - desprezo com a Justiça Eleitoral, e intenção de criar, artificialmente, estados mentais, emocionais e passionais negativos e ilegais.

Aliás, esta eleição, pelo andar da carruagem (e se a Justiça Eleitoral não brecar), terá como argamassa mais fraudes que projetos como instrumento dos candidatos para demonstrar ao eleitor a necessidade de retirar Cínthia Ribeiro da cadeira de prefeito que ocupa há dois anos e meio. Com obras na cidade e a administração enxuta, superávit orçamentário e sem elevar a carga tributária.

Eles poderiam fazer uso de política. Até porque não é somente em função de cumprimento de lei de responsabilidade fiscal que vive uma cidade. Mas também dele. A cidade, ainda que tenha Cínthia promovido ações inclusivas (moradias, atenção básica e que tais), é mais exclusiva na concentração de renda e falta de emprego. Os miseráveis circundam o plano diretor. Mas a maioria situa-se numa espécie de zona de conforto e pode ver sua situação melhorada com Cínthia.

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