Sábado, 24 de Out de 2026

Ouro de tolo: MDB foi derrotado em cinco das seis eleições já realizadas na Capital. Na única que levou, era vice. E segue com gogó aberto e retórica poética rococó!!!!!!

luizarmandocosta 24/08/2020 454 visualizações

Inicia-se em oito dias o prazo para as convenções partidárias. Assim como daqui a oito dias (31 de agosto) expira o prazo para o TSE divulgar o limite de gastos dos candidatos na campanha eleitoral.

Na Capital já existem candidatos na faixa de dois dígitos. Pelo calendário eleitoral, partidos buscam parceiros. O MDB é tido como um possível fiel da balança. Muito embora fidelidade não seja o seu elemento.

O MDB vem ludibriando eleitores há cerca de três meses com uma candidatura de Raul Filho. O ex-prefeito está inelegível até 2026. Sentença transitada em julgado e cumprimento de pena oficializado pela Justiça Federal em 2018. Recorre no STF. Jus sperniand a 20 dias do prazo final para registro de candidatura (16 de setembro).

Pela Lei Complementar 135 (Lei da Ficha Limpa) são inelegíveis (artigo 20, I)

e) os que forem condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado, desde a condenação até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos após o cumprimento da pena, pelos crimes: 3.contra o meio ambiente e a saúde pública.

Raul foi condenado por crime ambiental.

Raul, assim, apesar da inequívoca penetração junto aos eleitores de baixa renda, termina sendo moeda de troca do MDB que vive uma disputa interna, em nível regional, entre o senador Eduardo Gomes e a deputada federal Dulce Miranda. Gomes líder do Presidente da República no Congresso.

Na prática, partidos influenciam na eleição mais pela estrutura financeira do que partidária. No Estado há 1 milhão e 35 mil eleitores (TRE/julho/2020). Destes, apenas 193 mil (18%) estavam filiados a algum partido. Nas eleições municipais, pior ainda. Elas começam e terminam na porta das casas, na rua de frente de cada morador da cidade. E não no diretório ou executiva partidária. Mas não é o ponto.

O MDB (que aposta em Raul contrariando os fatos) não tem essa força toda em Palmas. Não conseguiu o partido criar novas lideranças em função da estratégia de domínio comandada por Brito Miranda e vocalizada na retórica quase poética de Derval de Paiva que transformaram o partido no Tocantins numa subsecção do MDB goiano. Isto após ter governado o Estado por três mandatos e duas cassações.

O MDB teve alguma chance na Capital com Eudoro Pedroza (1.992), mas foi derrotado por Eduardo Siqueira quando o MDB era governo (Moisés Avelino). Moisés não moveu uma palha em favor do candidato do seu partido. Repetiria o método em 1.994 com o seu vice João Cruz, a maior liderança popular do partido no Estado, na sua pretensão de sucedê-lo no governo. Ou seja, Moisés no governo levou o MDB à derrota. Sequer subiu nos palanques de Cruz. Siqueira, que tinha ficado fora quatro anos, nadou de braçadas.

Do mesmo modo que Moisés (e o MDB) boicotaram a maior liderança popular que teve em Palmas, o ex-secretário Josino Guerra, em 1.996. Josino tinha sido responsável (no governo de Moisés) pela organização das barracas de lona do Golfo Pérsico à Sapolândia, criando a Vila União e depois Arnos, destinando a pobres uma área projetada para abrigar mansões. Nos perímetros do córrego Sussuapara ao córrego Água Fria. Na verdade, até mesmo havia incentivado as invasões. Não fora isto, o caos social na cidade não se imagina qual seria o grau de intensidade.

Josino foi preterido pelo MDB para agradar o ex-deputado José Freire (que foi abandonado pelo partido na eleição contra Siqueira em 88). O partido colocou  Freire Junior que junto com Raul Filho levaram uma sova de Odir Rocha, cuja experiência era ter sido prefeito de uma cidade do interior (Colinas) e uma rápida passagem pela Câmara dos Deputados de onde licenciou-se para assumir uma secretaria de Estado.  Odir ganhou com 44,62% contra 33,66% de Raul (então no PSDB) e 20,55%, de Freire (MDB).

Nas eleições de 2000, o candidato do MDB a prefeito, deputado José Augusto, não saiu dos 2,906% dos votos. Contra 49,56% (Nilmar/PFL) e 47,07% (Raul/PPS). Raul passou a reverter o quadro em 2004 ao trocar de partido e filiar-se ao PT, quando barrou a reeleição de Nilmar. Em coligação com o MDB (que indicou o vice Derval de Paiva ) e aproveitando-se do efeito Lula colocou o dobro de votos da então prefeita: 64,46% /32,67%.

Em 2008, com Raul Filho mal avaliado (e Carlinhos Cachoeira na sua cola) o petista bateu Nilmar Ruiz novamente por barbeiragem do marketing do MDB que tinha o vice da chapa (vereador Evandro Gomes). O MDB mandou e desmandou na chapa e na campanha, chegando ao cúmulo de fazer uso da retórica de que Nilmar seria a candidata de Lula quando PT tinha o seu, Raul. Nilmar terminou sendo a terceira colocada (21,36%) contra 33,24% (Marcelo Lélis) e 44,52% de Raul.

Em 2012, o MDB novamente foi derrotado. Desta feita por um empresário que as pessoas não entendiam o que falava e ele dizia que não era entendido. Carlos Amastha saiu das urnas (numa campanha de poucos meses) com 48,65% contra 43,24% de Marcelo Lélis em coligação com o MDB (indicou o vice). O fiasco final viria em 2016, quando a candidata apoiada pelo MDB em Palmas, Cláudia Lélis (vice Emerson Coimbra/MDB) só conseguiu na Capital 10,01% dos votos. Contra 31,43% (Raul) e os 52,38% de Amastha.

Como se nota, uma coligação com o MDB pelo valor de face da moeda que o partido apresenta, assemelha-se a ouro de tolo. Emerge dos fatos um partido dúbio e sem votos na Capital.

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