Os pastores evangélicos já estão insuflando os fiéis do seu comércio a engrossarem as manifestações programadas para o 7 de setembro pela volta da ditadura no país.
Sim, porque defender o fechamento do Supremo e do Congresso e fechar rodovias num país onde a economia anda sobre rodas é um esculacho tão indefensável quanto as centenas de milhões de impostos devidos pelas mesmas igrejas aos cofres públicos. E que o presidente da República acena com o perdão fiscal.
Igrejas evangélicas, hoje, regra geral (tem as exceções que comprovam a regra), funcionam como franquias. Conheço pastores (e é provável que todos conheçam pelo menos um) que anos atrás não tinha uma ruela enferrujada e hoje estão aí de camionetes, fazendas e vida boa. E até com mandatos eletivos.Sem serem importunados pela Receita Federal.
Prosperaram como um raio só “levando a palavra” o que, no popular, poderia ser considerado estelionato ou vigarice religiosa. Diferente dos seus fiéis que são convencidos à riqueza só no céu em troca do dízimo na terra.
O que escrevo aqui é mera repetição. A maioria (não evangélica) sabe muito bem disso. Aliás, na Capital, conforme o IBGE, 54,6% da população declaram-se católicos e 32,8% evangélicos. Ou seja, a maioria pensa diferente e respeita a escolha sexual de cada um.
Essa licenciosidade e impunidade é que alimentam declarações como do vereador Filipe Martins (um rapaz tão novo quanto velho) essa semana na Câmara de Palmas. O brucutu pago com o dinheiro público (de crentes, ateus e agnósticos), como um filhotinho de Jair Bolsonaro (e não um servidor de todo o público), foi à tribuna para “rinchar” que “homossexualidade” seria porta aberta para a pedofilia. Fico a imaginar o que mais passaria por esse cérebro.
Deveria estudar não só um pouco mais sobre homossexualidade e homossexualismo (como bem apontou a jornalista Roberta Tum). Mas também teologia, filosofia, direito, relações humanas, princípios partidários democráticos e, principalmente, o seu papel como vereador. Uma confusão dos diabos entre o palco de sua igreja e a tribuna do Legislativo. Público com privado.
Como não estudou, vai continuar achando que ser contra homossexuais e avanços civilizatórios é ser conservador. Nem nos costumes (que imagino é onde pretenderia se movimentar o parlamentar) ele acerta.
Se a Bíblía desaprova as práticas homossexuais, da mesma forma ela não apóia a homofobia. Pela constituição evangélica do vereador, os cristãos são aconselhados a “respeitar todas as pessoas” (1 Pedro 2:17) e a amar o próximo como a si mesmos (Mateus 22:39; João 13:34; Gálatas 5:14).
O parlamentar, assim, é apenas mais um ignorante que toma assento no Legislativo municipal e que se escora nas imunidades parlamentares para dizer asneiras, imaginando ser a Câmara latrina de seus pensamentos anacrônicos e insidiosos.
É esse abacaxi e estrupício autoritário tão populista quanto reacionário (que poderia ser enquadrado até na área penal) é que o PSDB de Cínthia Ribeiro tem para descascar. Um filiado completamente fora da casinha dos tucanos que no seu estatuto prevê claramente as condições de expulsão.
A não ser que a prefeita prefira escolher mais um vereador ao seu lado na Câmara e infringir o Estatuto do PSDB. De outro modo: os princípios seriam comercializáveis.


