Registra a história que um dos césares romanos no seu leito de morte pedira desculpas a seu primogênito, argumentando que os seus defeitos como filho eram os defeitos dele como pai. Contrário senso, os acertos do filho seriam provenientes dos acertos do pai.
Não conheci Dona Tita pessoalmente mas é como se o tivesse ao conviver por mais de três décadas com um de seus prolongamentos, a amiga Roberta Tum que segue os princípios da mãe. E por outras duas décadas ter estado bem perto de mais dois de seus filhos.
Os acertos dos filhos de Dona Tita determinam de forma inequívoca os seus predicados de não só genitora mas provedora de princípios inexoráveis que legou à família por anos a fio. Parte do problemas da humanidade decorre justamente da falta de Donas Titas.
Enxergo Dona Tita em variados momentos como Dona Emilia, a minha miluca que, como Dona Tita, tinha até a semana passada 82 anos. Dia 25 celebramos os seus 83 anos e uma vitória sobre uma embolia pulmonar e o sequencial covid-19 de que foi inoculada como todo esse histórico.
Só mesmo a espiritualidade para encarar a morte que para muitos é vida, contrariando a razão necessária. Só mesmo os sistemas religiosos e filosóficos para proporcionar antídoto à certeza do desaparecimento material. E disto Dona Tita se precaveu: incutiu nos filhos a necessidade da busca por uma religião que desse sentido à suas próprias vidas.
Arsenal que hoje deve estar dando-lhes sustentação para enxergar na sua morte não uma perda, mas o cumprimento de uma missão que, agora, será cumprida em outra dimensão.
É uma situação que sugere mais um até logo do que um adeus. A crença de que somos imortais sobrepondo-se à noção da morte como aniquilação absoluta.


